Uma empresária de 44 anos morreu na madrugada de 12 de agosto, poucas horas após ser submetida a uma série de cirurgias plásticas em um hospital de Goiânia. Andreia Vieira havia investido em procedimentos na região do rosto e do pescoço que totalizaram R$ 118 mil, realizados após uma longa jornada de preparação e residência de cinco anos na Espanha.
O histórico e os procedimentos
Moradora da Espanha havia meia década, Andreia reuniu economias ao longo de dois anos para concretizar o plano de realizar as intervenções estéticas no Brasil. A acompanhante e irmã da vítima, Djiane Vieira, relatou que as duas chegaram ao hospital nas primeiras horas do dia 11 de agosto para a realização das cirurgias.
Os procedimentos combinados sob anestesia geral estenderam-se por mais de oito horas na mesa cirúrgica. Entre as intervenções executadas constavam ritidoplastia facial profunda, frontoplastia com redução de testa, mentoplastia óssea, blefaroplastia superior, além de lipoaspiração e aplicação de nanofat.
Agonia e falta de atendimento
Após a transferência para o quarto de internação comum, o quadro clínico da paciente começou a se deteriorar rapidamente. A defesa da família aponta que Andreia apresentava edema facial severo, volume expressivo da língua e grande dificuldade para respirar ao longo das horas seguintes.
“Mana, estou morrendo”
Relatos colhidos pela representação criminal entregue ao Ministério Público de Goiás indicam que os apelos da paciente e da acompanhante foram sistematicamente desvalorizados pela equipe assistencial. A equipe de enfermagem teria tratado os sintomas de falta de ar e dor intensa como mero nervosismo ou reflexo do pós-operatório imediato.
Alertas médicos ignorados
Documentos apresentados pela defesa mostram que exames realizados pela paciente na Europa antes da viagem continham sorologia positiva para infecções, dados que teriam sido repassados à equipe médica antes das intervenções cirúrgicas. Os advogados questionam a ausência de investigação complementar prévia sobre esses quadros clínicos.
A deterioração culminou em uma parada cardiorrespiratória em assistolia durante a madrugada. A assistência médica de urgência tentou manobras de reanimação, mas o óbito foi confirmado no início da manhã, gerando questionamentos sobre a falta de suporte de terapia intensiva no pós-operatório.
Investigação em andamento
O corpo da vítima foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito de Goiânia para exames necroscópicos que apontaram achados como trombose coronariana e infartos pulmonares. A família busca agora, por meio de representação jurídica, a instauração de um procedimento investigatório criminal para apurar o nexo causal entre a assistência prestada e o óbito.
O Ministério Público de Goiás e os órgãos de classe médica analisam os elementos apresentados pela defesa para determinar eventuais responsabilidades técnicas. Até o momento, os representantes do hospital e a equipe médica envolvida não se pronunciaram publicamente sobre as acusações.





