O Irã apresentou uma proposta aos Estados Unidos para a reabertura do Estreito de Ormuz e o início de negociações para encerrar o conflito em curso, que já se estende por dois meses. A iniciativa foi articulada com apoio de mediadores do Paquistão e ocorre em meio a um cenário de forte instabilidade geopolítica e impactos diretos na economia global.
A proposta separa as discussões sobre o fim da guerra das negociações envolvendo o programa nuclear iraniano, que devem ser tratadas em uma etapa posterior. O movimento sinaliza uma tentativa de avanço diplomático após semanas de impasse e escalada de tensões na região do Golfo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o Irã pode iniciar contato direto caso tenha interesse em negociar, reiterando que um eventual acordo depende da garantia de que o país não desenvolverá armas nucleares. A exigência permanece como principal ponto de divergência entre as partes.
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, intensificou esforços diplomáticos ao se reunir com representantes no Paquistão e em Omã, além de seguir viagem para a Rússia, onde está prevista uma agenda com o presidente Vladimir Putin. Os países atuam como mediadores na tentativa de destravar as negociações.
O processo sofreu novo revés após o cancelamento de uma visita diplomática americana ao Paquistão, que incluiria enviados de alto escalão. A decisão ampliou a incerteza sobre o avanço das tratativas e reduziu as expectativas de um acordo imediato.
Enquanto o impasse persiste, os efeitos já são sentidos no cenário econômico. A instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, provocou alta nos preços da commodity, valorização do dólar e queda nos futuros das bolsas americanas no início do pregão asiático.
O conflito teve início após ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano, no fim de fevereiro. Apesar de um cessar-fogo ter interrompido confrontos em larga escala, ainda não há consenso sobre os termos para encerrar definitivamente a guerra, que já deixou milhares de mortos e pressiona as perspectivas de crescimento global.







