O rei Harald V, da Noruega, morreu na manhã desta sexta-feira (28), aos 89 anos, em Oslo. O anúncio oficial foi feito pelo Palácio Real, confirmando que o monarca faleceu de forma pacífica no Hospital Universitário de Oslo, às 6h35 no horário local.
Harald era o chefe de Estado vivo mais velho da Europa e estava internado desde o dia 17 de agosto para tratar uma infecção bacteriana no sangue. Nos últimos anos, o monarca já enfrentava um histórico delicado de saúde, tendo passado por uma internação na Malásia em 2024 para o implante de um marca-passo definitivo.
Mesmo com a saúde fragilizada, o rei recusava categoricamente a hipótese de renunciar ao trono. Ele sustentava a convicção de que o juramento prestado à nação quando assumiu a coroa, em 1991, possuía caráter vitalício.
Legado de modernização e proximidade popular
Ao longo de 35 anos de reinado, o monarca conduziu uma profunda transformação na imagem pública da família real. Trineto da rainha Vitória, da Grã-Bretanha, Harald trouxe a instituição para o século 21 ao defender causas progressistas e promover a abertura da corte.
Em um marco histórico em 2016, ele discursou abertamente em favor da diversidade cultural, religiosa e da igualdade de direitos para a comunidade LGBTQIA+. O soberano também construiu uma reputação de simplicidade ao visitar regiões afetadas por desastres naturais usando botas de borracha e trajes informais.
“Depois que se abre o portão, é muito difícil fechá-lo novamente. Não tenho certeza de que gostaria de fechá-lo.”
Apaixonado por esportes, Harald representou o país em competições de vela em edições dos Jogos Olímpicos e conquistou um título mundial no esporte. Sua ligação com o meio ambiente também o trouxe ao Brasil, onde passou quatro dias integrado à comunidade Yanomami, na Floresta Amazônica, aos 76 anos.
Atuação decisiva em momentos de tragédia
O reinado de Harald V foi marcado por uma forte presença de amparo nos momentos mais difíceis da história norueguesa recente. Durante os ataques promovidos pelo extremista Anders Behring Breivik em 2011, que deixaram 77 mortos em Oslo e Utøya, o rei liderou o processo de luto nacional.
“A liberdade é mais forte que o medo.”
Com a declaração feita em cadeia nacional de televisão, o monarca fortaleceu o sentimento de unidade do país diante do maior atentado sofrido pela nação desde a Segunda Guerra Mundial.
Crises familiares e turbulências recentes
A morte do monarca ocorre em um período de forte desgaste na imagem da casa real norueguesa. A princesa herdeira Mette-Marit, casada com o príncipe Haakon, enfrentou severas críticas públicas após a revelação de sua proximidade com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, episódio pelo qual pediu desculpas publicamente.
Paralelamente, o filho de Mette-Marit de um relacionamento anterior, Marius Høiby, acabou condenado em junho a quatro anos de prisão por acusações de estupro e violência doméstica. O caso envolveu um longo julgamento de sete semanas e ainda aguarda análise de recurso.
Apesar dos escândalos envolvendo a família real, Harald manteve popularidade expressiva, atingindo a nota 9,2 em avaliações públicas sobre a liderança da monarquia.
Em meio ao cenário turbulento, Mette-Marit também enfrentou problemas de saúde e passou por um transplante de pulmão, retornando à rotina oficial no início do segundo semestre após semanas de recuperação hospitalar.
Infância no exílio e quebra de tradições
Nascido em 21 de fevereiro de 1937, Harald foi o primeiro herdeiro real a nascer em solo norueguês em quase 570 anos. Durante a Segunda Guerra Mundial, com a invasão da Alemanha nazista em 1940, ele precisou se refugiar na Suécia e, posteriormente, nos Estados Unidos, onde conviveu com o presidente Franklin Roosevelt.
De volta à terra natal em 1945, estudou em escolas públicas e quebrou paradigmas ao insistir no casamento com Sonja Haraldsen, uma cidadã sem origens nobres. O impasse durou nove anos e só foi resolvido quando Harald ameaçou jamais se casar caso não recebesse a autorização real.
Nova era e sucessão no trono
Com o falecimento do soberano, o príncipe herdeiro Haakon, de 53 anos, assume a coroa e torna-se o quarto rei da Noruega desde a independência do país em relação à Suécia, conquistada em 1905. Sua esposa, Mette-Marit, passa a ocupar o posto de rainha consorte.
O novo rei Haakon assume a liderança do país em um momento estratégico de transição, com a missão de preservar a estabilidade da instituição fundada por seu pai.




