Vinte e dois anos após sua primeira viagem ao país, o ator e ativista Leonardo DiCaprio concluiu uma intensa agenda de seis dias dedicada à preservação ambiental no Brasil. A expedição discreta incluiu visitas técnicas e diálogos com comunidades locais na Amazônia, no Pantanal e no Cerrado.
O encerramento da viagem ocorreu em Brasília, onde o astro norte-americano se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reunião de alto nível teve a presença da primeira-dama Janja e de ministros de Estado para discutir a proteção dos ecossistemas, a preservação da biodiversidade e os direitos dos povos indígenas.
“Hoje, conversei com Leonardo DiCaprio sobre o papel fundamental das mulheres na preservação dos nossos territórios e sobre como a bioeconomia pode gerar trabalho, renda e desenvolvimento sem destruir a natureza.”
A comitiva governamental no encontro contou com as participações dos ministros João Capobianco (Meio Ambiente), Eloy Terena (Povos Indígenas) e Margareth Menezes (Cultura). A conversa tratou de soluções para a transição ecológica e a garantia de direitos territoriais às populações originárias.
Programa bilionário para proteção de espécies ameaçadas
O Brasil figura entre as áreas prioritárias do Phoenix Species Project, programa recém-lançado pela organização Re:wild — fundada por DiCaprio — em parceria com a Bezos Earth Fund, entidade mantida por Jeff Bezos.
A iniciativa global conta com um aporte inicial de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,03 bilhão) para proteger as 100 espécies mais ameaçadas de extinção no planeta. Cinco dessas espécies vivem exclusivamente no território brasileiro:
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Rolinha-do-planalto
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Tiê-sangue
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Muriqui-do-norte
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Perereca-de-capacete
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Sapinho-da-restinga
A delegação da Re:wild que acompanhou DiCaprio na viagem foi composta pelo biólogo Wes Sechrest, cofundador e CEO da entidade, pelo diretor da organização no Brasil, Rodrigo Medeiros, e pelo diretor para a América Latina, Chris Jordan.
Imersão na Amazônia e documentário sobre o cacique Raoni
A jornada de seis dias teve início no estado de Mato Grosso, no Instituto Raoni, situado no município de Peixoto de Azevedo. No local, DiCaprio encontrou-se com o cacique Raoni Metuktire, de 94 anos.
A liderança indígena é o personagem central do documentário “Raoni: a voz da floresta”, produzido por DiCaprio e atualmente em fase final de edição. A obra é realizada em parceria com o Globoplay e a Globo Filmes e trará a narração do próprio ator sobre a trajetória do cacique.
A Re:wild apoia a criação do Fundo Legado Cacique Raoni, iniciativa que visa proteger mais de 2 milhões de hectares de terras indígenas Kayapó.
Ainda na Amazônia, a comitiva esteve na comunidade Yawalapiti, no Alto Xingu, acompanhada pelo cacique Tapi Yawalapiti. A equipe conheceu projetos locais de prevenção de incêndios e alternativas econômicas sustentáveis.
A passagem pela região amazônica foi concluída em Novo Progresso, no Pará, com uma visita ao Instituto Libio no Rio Azul. No local, a Re:wild apoia o projeto Escudo Sul da Amazônia, focado na proteção de 5,8 milhões de hectares no chamado arco do desmatamento.
Ações no Pantanal e restauração no Cerrado
A segunda etapa da viagem levou a delegação ao Pantanal. A Re:wild integra a coalizão internacional que apoiou a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense e da Estação Ecológica de Taiamã.
DiCaprio visitou a Pousada Caiman, reserva privada referência em conservação e pesquisa, além da Fazenda Santa Tereza, que integra o Corredor do Alto Pantanal. O grupo também se reuniu com a equipe do projeto Onçafari para discutir a preservação das onças-pintadas.
A fase final da expedição ocorreu no Cerrado — bioma que lidera a perda de vegetação nativa no país pelo terceiro ano consecutivo. O ator visitou a Fazenda Trijunção, propriedade que protege cerca de 30 mil hectares em uma zona de expansão agrícola.
A área atua como corredor ecológico para a fauna local, abrigando espécies vulneráveis como lobos-guarás, tamanduás-bandeira, antas e onças-pintadas.
Alcance global das ações de conservação
Atualmente, a Re:wild atua em cooperação com mais de 600 instituições parceiras ao redor do mundo. As ações da ONG apoiam a conservação de cerca de 239 milhões de hectares e beneficiam mais de 36 mil espécies.
No cenário nacional, a organização mantém parcerias ativas com mais de 50 entidades brasileiras, fortalecendo ações de proteção em biomas estratégicos.





