O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, assumiu uma postura incisiva nos bastidores do Congresso ao sair em defesa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A manifestação do parlamentar enviou dois recados políticos de alto impacto em Brasília.
O primeiro sinal deixou claro que a presidência da Casa vai barrar qualquer tentativa de impeachment contra o magistrado da corte suprema. O segundo recado consistiu em um aviso velado ao senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.
A articulação de Alcolumbre indica que, caso a oposição insista em explorar politicamente os desdobramentos das investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes, o comando do Senado trará a público a proximidade de congressistas da oposição com o próprio empresário.
Discurso em plenário e menção a financiamento de filme
A declaração que chacoalhou os bastidores do Poder Legislativo ocorreu durante a sessão deliberativa no plenário do Senado. Alcolumbre rebateu as ofensivas da oposição trazendo à tona negociações financeiras anteriores do grupo oposicionista.
“Eu vou voltar para a pauta porque senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes.”
A menção faz referência direta às tratativas para a captação de recursos destinados à produção do longa-metragem “Dark Horse”, projeto audiovisual desenhado como uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Temor de desgaste na oposição e articulação no Congresso
O posicionamento de Alcolumbre causou apreensão imediata entre os aliados de Flávio Bolsonaro. Integrantes da ala oposicionista avaliam que a reabertura do debate sobre a cinebiografia pode gerar um desgaste eleitoral relevante na reta final das articulações políticas.
Interlocutores no Congresso apontam para a existência de uma bancada transpartidária ligada aos interesses do ex-controlador do Banco Master. A avaliação dominante é de que uma devassa mais ampla sobre as relações do empresário traria desdobramentos imprevisíveis para diversos quadros partidários.
Essa convergência de interesses já havia atuado de forma decisiva no primeiro semestre, quando o alinhamento de lideranças conseguiu conter a instalação da CPI do Master no Senado.
O caso Amapá Previdência e estratégia para as eleições
O cenário de tensão também envolve desdobramentos locais. O presidente do Senado acompanha de perto os desdobramentos das apurações sobre o Amapá Previdência, fundo de previdência estadual que aplicou recursos em papéis de baixo rendimento do Banco Master na gestão de um afilhado político do senador.
Por outro lado, senadores da oposição pretendem transformar a blindagem promovida pelo comando da Casa em bandeira de campanha. A estratégia busca engajar o eleitorado conservador na defesa de uma renovação das cadeiras do Senado para viabilizar futuros processos de cassação contra ministros do Supremo.





