A um mês do pleito eleitoral, o governo federal anunciou ter atingido a meta de zerar a fila de espera do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A declaração foi feita em cerimônia oficial realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz.
O anúncio, contudo, veio acompanhado de uma alteração no conceito utilizado pelo governo para definir o represamento de pedidos. A gestão passa a considerar o volume de solicitações como um “fluxo de atendimento”, e não mais como uma fila represada.
Apesar do balanço positivo apresentado pela gestão, o próprio ministério reconheceu a existência de um contingente pendente. Atualmente, ainda existem 224 mil pessoas aguardando perícias médicas há mais de 45 dias no sistema previdenciário.
Reclassificação metodológica e conceito de fluxo
Durante a apresentação dos dados, a cúpula da Previdência Social argumentou que o contingente que supera o prazo legal de 45 dias não configura uma fila propriamente dita, mas sim um grupo residual de alta complexidade.
“Essa fila de beneficiários acima dos 45 dias se transformou em um resíduo, de pouco mais de 200 mil, que são pedidos especialíssimos, de casos mais complexos”, declarou o ministro Wolney Queiroz.
A mudança de abordagem conceitual ocorre após o indicador atingir picos de espera ao longo do mandato. Até meados de junho, o próprio canal oficial do INSS definia formalmente como “fila” qualquer requerimento sem resposta que ultrapassasse a marca de 45 dias.
O Executivo sustentou que a capacidade diária de processamento da autarquia superou o volume de novas solicitações que entram na plataforma todos os meses.
“Quando isso acontece, não temos uma fila. Temos um fluxo de atendimento. Deixou de existir uma fila para existir atendimento. Estamos numa situação parecida com uma loja que tem 12 vendedores e entram 8 clientes”, comparou o ministro.
Evolução dos números e balanço de requerimentos
A meta de zerar o represamento até o final de setembro fazia parte das promessas de campanha assumidas pela atual gestão para evitar desgastes políticos no período eleitoral. Atualmente, o INSS recebe cerca de 1,3 milhão de solicitações por mês, o que representa uma média de 43 mil novos pedidos diariamente.
A evolução dos registros do instituto ao longo do ano apresentou a seguinte trajetória de atendimento:
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Fevereiro: Registrou o pico do ano, com 3,12 milhões de pessoas aguardando resposta, enquanto 1,17 milhão de novos pedidos deram entrada no sistema.
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Julho: O volume total de requerimentos pendentes caiu para 1,547 milhão de processos.
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Agosto: A capacidade de atendimento da autarquia e o volume de novos pedidos superaram o estoque acumulado de solicitações em espera.
Posicionamento oficial e contestação de alterações
O presidente Lula defendeu o trabalho realizado pela pasta e ressaltou a necessidade de garantir dignidade aos cidadãos que necessitam dos serviços do instituto previdenciário.
“O que a gente quer é humanizar a fila. É a pessoa ter o tempo correto de dar entrada, esperar e receber o seu benefício”, afirmou o presidente durante o evento.
Questionado por jornalistas sobre se a mudança nos critérios de divulgação visava maquiar os dados para o período eleitoral, o ministro da Previdência negou a existência de manobras estatísticas na contagem dos processos.
“Não mudamos critério nenhum. Nós estamos apreciando, analisando pedidos como nunca analisamos, e estamos concedendo benefícios como nunca concedemos. São números reais. Então não tem truque, não tem pegadinha”, rebateu Wolney Queiroz.





