Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa 2025), divulgados nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revelam que o Brasil continua com desempenho significativamente abaixo da média mundial em todas as áreas avaliadas.
O estudo comparativo internacional afere as competências e habilidades de alunos com 15 anos de idade em 89 países e economias globais, analisando a aplicação prática dos conhecimentos em leitura, matemática e ciências.
Desempenho geral e ranking internacional
A edição de 2025 mostrou um distanciamento expressivo entre os estudantes brasileiros e a média dos países membros da OCDE em todas as frentes de teste:
-
Matemática: O Brasil alcançou 377 pontos, contra a média da OCDE de 463 pontos, ocupando o 71º lugar.
-
Ciências: O país marcou 409 pontos, ante a média global de 482 pontos, ficando no 67º lugar.
-
Leitura: Os alunos brasileiros somaram 408 pontos, frente aos 463 pontos da média internacional, figurando no 52º lugar.
Na comparação direta com as demais nações da América Latina, o Brasil obteve um resultado mediano. O país registrou pontuação inferior às de Uruguai, Chile, Costa Rica, Colômbia e México, mas superou os índices de Peru, Equador, Argentina, El Salvador e Paraguai. Todas as nações latino-americanas pontuaram abaixo da média global.
Em relação ao histórico recente, o desempenho brasileiro manteve patamar semelhante ao registrado na edição anterior do exame. No Pisa 2022, o Brasil havia computado 379 pontos em matemática, 403 pontos em ciências e 410 pontos em leitura.
Diagnóstico por área do conhecimento
A análise detalhada dos indicadores revela lacunas profundas na formação dos estudantes brasileiros e na consolidação de aprendizagens essenciais.
Matemática
Sete em cada dez estudantes brasileiros não conseguem interpretar situações matemáticas simples sem instruções diretas. Na disciplina que registrou o menor índice do país, apenas 28% dos alunos atingiram o nível 2 ou superior de proficiência, enquanto a média global é de 65%.
O contingente de estudantes com alto desempenho (níveis 5 ou 6) no Brasil ficou próximo de 0%, enquanto a média da OCDE é de 8%. Em 13 economias participantes do exame, mais de 10% dos jovens alcançaram a faixa máxima de rendimento.
Ciências
No campo científico, 48% dos alunos brasileiros atingiram o nível 2 de proficiência, número distante dos 74% da média mundial. O dado aponta que mais da metade dos estudantes do país não reconhece a explicação correta para fenômenos cotidianos.
Apenas 1% dos jovens brasileiros alcançou o topo da escala de proficiência em ciências, contra o índice de 7% registrado entre os países da OCDE.
Leitura
Na avaliação de leitura, 49% dos estudantes de 15 anos no Brasil alcançaram o nível mínimo esperado (nível 2 ou mais), em comparação com 69% na média global. O resultado indica que mais da metade dos alunos apresenta dificuldades para identificar a ideia central de textos de tamanho moderado.
Os leitores com desempenho considerado elevado somam apenas 1% dos estudantes no país, enquanto a média global atinge 6%.
Liderança global e impacto da tecnologia
As províncias chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang (avaliadas de forma conjunta) e Singapura lideraram o ranking mundial de desempenho nas três categorias. Também destacaram-se Estônia, Japão, Coreia do Sul, Macau, Taipé Chinesa e Reino Unido.
A OCDE registrou que o Pisa 2025 apresentou a menor média geral de sua história entre os países membros nas três áreas analisadas.
O relatório alertou ainda que a ampliação do uso de ferramentas de inteligência artificial tem coincidido com a queda em habilidades fundamentais de leitura, como pensamento crítico, cruzamento de fontes e análise de credibilidade. A leitura apressada ou superficial quase dobrou em relação aos dados de 2018.




