A defesa do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, cumpre agenda presencial com a equipe do gabinete do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. O encontro, marcado para a tarde desta terça-feira (8), aborda os termos da delação premiada negociada pelo empresário.
Freixo é proprietário da empresa Entre Investimentos e Participações e fechou um termo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A oitiva conduzida pela equipe do relator busca avaliar aspectos formais do procedimento, incluindo a voluntariedade, a regularidade e a legalidade dos depoimentos.
Esquema de repasses e triangulação financeira
De acordo com as apurações da Polícia Federal e do Ministério Público, a empresa mantida por Freixo teria sido utilizada como ponte para intermediar o fluxo de capitais enviados por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Os recursos tinham como destino o financiamento do filme Dark Horse, produção cinebiográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As investigações apontam que o caminho do dinheiro envolveu triangulação internacional. Os valores eram transferidos para o Havengate Development Fund LP, um fundo de investimentos sediado no estado do Texas, nos Estados Unidos.
A estrutura no exterior era gerida por interlocutores ligados ao deputado federal Eduardo Bolsonaro, que posteriormente repassavam os montantes para a produtora Go Up Entertainment, responsável pela confecção da obra.
A investigação aponta que ao menos R$ 61 milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para viabilizar a produção cinematográfica, divididos em seis operações financeiras.
Áudios e montante sob investigação
O inquérito ganhou novos desdobramentos a partir do surgimento de gravações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro. Em áudios que integram o apurado pelas autoridades, o parlamentar cobrava agilidade e repasses de recursos a Daniel Vorcaro para evitar atrasos no cronograma de produção do filme.
O valor total negociado no esquema pode ter alcançado a cifra de R$ 134 milhões, montante que segue sob verificação pericial das autoridades judiciais para confirmar se a integralidade das remessas foi efetivada.
O ministro André Mendonça assumiu a relatoria do caso no STF após distribuição realizada pela presidência da Corte. A escolha ocorreu por prevenção, devido à conexão direta com procedimentos já em andamento no tribunal sobre movimentações financeiras do Banco Master.
Após o término da oitiva conduzida pelos juízes auxiliares, um relatório técnico sobre a homologação do acordo de delação será formalmente entregue ao ministro para decisão final.



