Imagens obtidas pelo sistema de monitoramento do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, registraram o desembarque do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e de sua esposa, a advogada Viviane Barci. O registro foi realizado em 22 de agosto de 2025 e divulgado neste domingo (20).
A aeronave utilizada no deslocamento pertence ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio passou a ser acompanhado em investigações conduzidas pela Polícia Federal que apuram as relações comerciais e contratos firmados entre as partes.
Contrato milionário e transferência de cotas
De acordo com relatórios da Polícia Federal, o escritório de advocacia de Viviane Barci teria firmado um contrato no valor de R$ 50 milhões com uma empresa vinculada a Vorcaro em 12 de maio de 2025. O acordo previa prestação de serviços e honorários advocatícios.
As investigações apontam que este contrato é independente de outra negociação prévia citada em apurações, avaliada em R$ 131 milhões. Segundo os relatórios, parte do pagamento de R$ 50 milhões seria quitado mediante cotas de uso de aeronaves, incluindo o jatinho utilizado na viagem ao Rio de Janeiro e um helicóptero.
O período do voo coincide com apurações do Banco Central, que no mês anterior ao deslocamento havia emitido um alerta ao Ministério Público Federal indicando indícios de gestão fraudulenta em operações financeiras envolvendo as instituições BRB e Master.
Troca de mensagens interceptada
Mensagens extraídas do telefone celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal detalham a gestão do uso das aeronaves. Em 16 de julho de 2025, o empresário questionou Marcos Matta, responsável pela empresa PrimeYou — gestora do jatinho e do helicóptero —, sobre a utilização por parte da família do ministro.
“Eles não estão usando?”
Em resposta enviada na mesma data, Matta confirmou a liberação dos veículos aéreos e mencionou a operacionalização das viagens por meio de estruturas empresariais ligadas à família.
“Liberado desde quando você me pediu, já a usar sim. Já usaram aviões e helicópteros. O variável não cobrei ainda, devido mudança de contrato de Barci para a outra empresa deles Lex.”
Após a explicação sobre o andamento dos cadastros, Vorcaro orientou o interlocutor a manter a assistência frequente para garantir os deslocamentos:
“Fica em contato com eles pra eles poderem usar.”
Posição da defesa e manifestação oficial
Diante da divulgação das imagens e dos relatórios policiais, a defesa do escritório de advocacia e o ministro Alexandre de Moraes se posicionaram categoricamente sobre o assunto.
A defesa sustenta que o segundo contrato de R$ 50 milhões jamais existiu ou foi assinado entre as partes citadas.
Questionado sobre o uso das aeronaves privadas, o ministro Alexandre de Moraes reiterou a declaração prestada anteriormente às autoridades e à imprensa, afirmando que nunca realizou viagens em aeronaves de propriedade de Daniel Vorcaro.




