Uma abordagem promovida por agentes da Guarda Municipal do Rio de Janeiro (GM-Rio) terminou com um entregador de aplicativo sofrendo convulsões e desmaiando em via pública. O caso foi registrado no último domingo (11), na Rua Francisco Otaviano, localizada no bairro de Ipanema, Zona Sul da capital fluminense.
A ação foi gravada por diversos pedestres que transitavam pelo local no momento da intervenção. Nas imagens que circulam nas redes sociais, é possível observar o trabalhador imobilizado no chão enquanto populares ao redor pedem aos gritos que os guardas interrompam a abordagem, acusando a equipe de atuar com excesso de força e truculência.
Testemunhas relatam disparo de choque elétrico
De acordo com os relatos de pessoas que presenciaram a cena, os guardas municipais utilizaram equipamentos de menor potencial ofensivo para deter o trabalhador. O homem sofreu convulsões e perdeu a consciência no asfalto logo após ser atingido pelos disparos de uma arma de eletrochoque.
O desespero dos pedestres aumentou à medida que o homem demonstrava espasmos físicos involuntários durante a imobilização. Mesmo diante dos apelos populares para a suspensão do procedimento de contenção, os agentes mantiveram o cerco até a total neutralização do entregador.
“Parem com isso! O cara está passando mal, está tendo uma convulsão!”, gritavam as testemunhas que acompanhavam a cena e registravam o momento em vídeos no celular.
Versão oficial da Guarda Municipal
Procurada para prestar esclarecimentos sobre a conduta dos agentes, a assessoria de imprensa da Guarda Municipal do Rio de Janeiro informou que a equipe realizava patrulhamento ostensivo na região quando tentou abordar o homem. Segundo a corporação, o entregador trafegava em uma bicicleta pela ciclofaixa e desobedeceu à ordem formal de parada perto de uma travessia.
A nota oficial alega ainda que a manobra realizada pelo ciclista quase resultou no atropelamento de uma pedestre que atravessava na faixa de segurança. Na tentativa de desviar, o homem teria colidido diretamente contra uma placa de sinalização de trânsito manuseada pela própria equipe da GM-Rio.
Ainda segundo o posicionamento da instituição, o entregador teria desacatado os agentes públicos no local. Diante da conduta do suspeito, os guardas deram voz de prisão, momento em que o homem teria apresentado forte resistência física, motivando o uso da pistola de eletrochoque (Taser) para conter a agressividade do abordado.
Registro policial e procedimentos internos
A corporação alegou que, após ser contido e se recuperar dos efeitos do disparo elétrico, o entregador se recusou a receber atendimento médico especializado por parte das equipes de resgate.
A ocorrência foi formalmente apresentada e registrada na 13ª DP (Copacabana). O caso foi autuado sob as acusações de desacato, desobediência, resistência e lesão corporal.
Diante da repercussão das imagens e das denúncias de agressão formuladas por populares, a direção da Guarda Municipal do Rio de Janeiro confirmou que instaurou um procedimento apuratório interno para investigar detalhadamente as circunstâncias da abordagem e a conduta dos servidores envolvidos.





