O MDB vive um cenário de divisão interna oficial na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial. Nesta terça-feira (13), dez diretórios estaduais do partido emitiram um manifesto conjunto declarando apoio formal à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O posicionamento público ocorreu no mesmo dia em que a cúpula nacional da legenda preparou o anúncio do apoio da maioria das direções estaduais ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).
A ala que decidiu respaldar a candidatura do atual chefe do Executivo federal é concentrada majoritariamente nas regiões Norte e Nordeste. Assinam a declaração as direções emedebistas dos estados do Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia.
Defesa das políticas sociais e de obras públicas
No documento oficial divulgado pelo grupo pró-Lula, as lideranças partidárias justificam a aliança com base na manutenção de diretrizes econômicas e sociais implementadas pela atual gestão federal.
“Nosso posicionamento reafirma o compromisso com o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e renda, a redução das desigualdades e a promoção da justiça social”, destaca um trecho do manifesto.
As direções regionais citaram nominalmente programas federais como Bolsa Família, Pé-de-Meia, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular para defender a estabilidade administrativa.
“Interromper esse ciclo agora seria deixar obras pela metade, recursos parados e o povo esperando. […] É hora de transformar essa força em votos definitivos”, afirmam as lideranças do Norte e Nordeste no documento.
Entre as figuras de peso que encabeçam essa ala estão o senador eleito Helder Barbalho (PA) e os senadores Eduardo Braga (AM), Marcelo Castro (PI) e Veneziano Vital do Rêgo (PB).
Articulação pró-Flávio reúne maioria e tem liderança goiana
Na contrapartida do racha partidário, a movimentação para formalizar o apoio da maior parte do MDB a Flávio Bolsonaro (PL) é conduzida diretamente pelo presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, ao lado do governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). As tratativas de bastidores começaram logo após o encerramento do primeiro turno, no dia 5 de outubro.
Em evento recente voltado para gestores municipais, Daniel Vilela discursou ao lado do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) perante mais de 160 prefeitos e confirmou o engajamento da estrutura governista estadual em prol do postulante do PL.
“Saiba que esse grupo estará ao seu lado de corpo e alma, dedicado ao longo dessas próximas três semanas para poder ampliar ainda mais a sua votação aqui no nosso Estado. O Brasil sofreu muito nesses últimos quatro anos e aqui em Goiás não foi diferente. O nosso Estado vem sendo muito penalizado por ser feito da parte do atual governo a distinção em relação aos nossos posicionamentos políticos”, declarou Daniel Vilela ao se dirigir a Flávio Bolsonaro.
O emedebista goiano reforçou a expectativa do grupo político de que a candidatura oposicionista resulte na mudança do comando do Palácio do Planalto.
“Goiás hoje te recebe com muito entusiasmo e com grande expectativa. Nós depositamos na sua pessoa essa mudança tão desejada pelos brasileiros”, completou o governador reeleito.
Panorama eleitoral e números do primeiro turno
A disputa do segundo turno nacional foi configurada após uma margem estreita de votos no primeiro pleito, quando a diferença entre os dois primeiros colocados ficou em cerca de 2,2 milhões de eleitores.
A apuração oficial do primeiro turno registrou o seguinte quadro de votação entre os candidatos à Presidência da República:
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Flávio Bolsonaro (PL): 47,03% dos votos válidos
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 45,16% dos votos válidos
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Augusto Cury: 2,89% dos votos válidos
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Renan Santos (Missão): 2,24% dos votos válidos
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Ronaldo Caiado (PSD): 2,18% dos votos válidos
Os demais concorrentes ao pleito presidencial não atingiram o patamar de 1% dos votos válidos no somatório das urnas eletrônicas em todo o país.





