A Fórmula 1 oficializou nesta terça-feira (13) o seu aguardado retorno ao continente africano após mais de três décadas de ausência. O destino escolhido pela categoria rainha do automobilismo mundial foi Ruanda, país localizado na região centro-oriental da África. O contrato firmado prevê um vínculo de dez anos para a realização do Grande Prêmio, com previsão de estreia no calendário entre as temporadas de 2030 e 2031.
A construção do novo complexo automobilístico será realizada no distrito de Bugesera, próximo à cidade de Nyamata, situada a cerca de 40 quilômetros ao sul de Kigali, capital do país. O desenho da pista ficará sob o comando do ex-piloto austríaco Alex Wurz em parceria direta com o renomado arquiteto alemão Hermann Tilke, responsável pelo projeto de diversos circuitos modernos do automobilismo internacional.
Traçado com inspiração no automobilismo brasileiro
A concepção técnica da nova pista ruandesa prevê um traçado fluído, marcado por curvas de média e alta velocidade. A grande novidade do projeto é a utilização do lendário Autódromo de Interlagos, localizado em São Paulo, como uma das principais referências arquitetônicas e esportivas para o desenho das variantes.
O objetivo da comissão de projetistas é replicar o dinamismo, os pontos de ultrapassagem e as características táticas do circuito brasileiro. A meta é garantir corridas disputadas e com alto apelo visual para as transmissões globais, integrando o esporte a planos locais de turismo e infraestrutura.
CEO celebra presença nos cinco continentes
O anúncio oficial foi comemorado pela alta cúpula da categoria. O presidente e CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali, destacou o caráter histórico do acordo, enfatizando a expansão da marca para novos mercados e a consolidação do campeonato em escala verdadeiramente global.
“Com a entrada de Ruanda no calendário a partir da próxima década, nosso esporte terá corridas em todos os continentes habitados, aproximando o Campeonato Mundial como nunca antes dos fãs em todo o mundo. Estamos trazendo a emoção, a energia e o drama da Fórmula 1 para mais perto de milhões de pessoas que esperaram muito tempo para ver o nosso esporte retornar ao continente”, declarou o dirigente.
O executivo estendeu seus agradecimentos ao presidente de Ruanda, Paul Kagame, no poder desde 2000, pelo empenho governamental no projeto. De acordo com Domenicali, estimativas da categoria apontam que o continente africano reúne atualmente uma base superior a 100 milhões de fãs de automobilismo.
“Juntos, podemos criar benefícios econômicos e sociais duradouros por meio do turismo, investimento, desenvolvimento de habilidades e crescimento dos negócios locais, garantindo que o impacto positivo deste evento seja sentido por gerações”, completou Stefano Domenicali.
O histórico da Fórmula 1 em solo africano
A confirmação de Ruanda encerra uma longa espera do público africano. A última vez que a categoria realizou uma prova oficial no continente foi no dia 14 de março de 1993, na disputa do Grande Prêmio da África do Sul, no tradicional circuito de Kyalami.
Naquela ocasião, o pódio da corrida foi formado pelos seguintes pilotos:
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Alain Prost (França / Williams): Vencedor da prova
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Ayrton Senna (Brasil / McLaren): Segundo colocado
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Mark Blundell (Reino Unido / Ligier-Renault): Terceiro colocado
Além de Kyalami — que sediou edições em East London (no circuito Prince George) e no próprio traçado principal entre 1962 e 1993 —, o continente africano também fez parte da história da Fórmula 1 em 1958, quando o circuito de Ain-Diab, em Casablanca, recebeu o Grande Prêmio de Marrocos.





