O lançamento de um foguete da empresa aeroespacial SpaceX proporcionou um espetáculo visual impressionante nos céus do estado da Flórida, nos Estados Unidos. A decolagem do veículo espacial gerou um fenômeno óptico raro que desenhou uma estrutura luminosa em tons de azul e rosa no firmamento, desenhando uma forma semelhante a uma água-viva gigante que pôde ser vista a quilômetros de distância.
O evento científico e visual é popularmente batizado no meio astronômico de space jellyfish, ou “água-viva espacial”. A formação luminosa se alastrou pela atmosfera na manhã da última terça-feira (13), chamando a atenção de moradores, entusiastas da exploração espacial e fotógrafos de toda a região costeira norte-americana.
A decolagem do foguete modelo Falcon 9 ocorreu pontualmente às 6h33 (horário local) a partir do complexo de lançamentos da base de Cabo Canaveral. O veículo transportava acoplada em seu topo a cápsula automatizada Dragon, carregada com provisões e materiais de apoio.
A mecânica do fenômeno ‘água-viva espacial’
Apesar de causar surpresa a quem presencia a cena pela primeira vez, o aparecimento da “água-viva espacial” possui explicação científica bem documentada pela física atmosférica. O efeito ocorre quando os gases de exaustão expelidos pelos motores do foguete se expandem em altitudes extremamente elevadas, onde a pressão atmosférica é próxima do vácuo.
Como a decolagem ocorreu nos primeiros minutos do amanhecer, a região do solo ainda se encontrava na escuridão da penumbra. No entanto, em altitudes elevadas, os gases expelidos pelo Falcon 9 já recebiam diretamente a iluminação dos primeiros raios de sol no horizonte.
“A combinação entre o sol incidindo nos gases em alta altitude e o solo ainda na escuridão gera nuvens incandescentes que refletem tons vívidos e mudam de forma no céu.”
A iluminação dos efluentes do motor em altitude cria nuvens de plasma e vapor que adquirem contornos orgânicos, lembrando tentáculos e o corpo de uma água-viva flutuando no espaço sideral. O fenômeno costuma se repetir sempre que os lançamentos coincidem com o início da alvorada ou com os momentos finais do crepúsculo.
Abastecimento e ciência na Estação Espacial Internacional
Para além do impacto estético proporcionado aos observadores terrestres, o lançamento integra a logística oficial de exploração espacial. A missão foi catalogada pela agência espacial norte-americana (NASA) como CRS-35 e tem como objetivo principal o reabastecimento da Estação Espacial Internacional (ISS).
A cápsula Dragon leva a bordo toneladas de mantimentos para os astronautas, ferramentas de manutenção, equipamentos operacionais de última geração e diversos experimentos científicos desenvolvidos por universidades e centros de pesquisa globais.
Os insumos serão utilizados em investigações que aproveitam o ambiente de microgravidade da estação espacial para avançar em estudos nas áreas de medicina, biologia celular, ciência dos materiais e física fundamental.
A cápsula deve realizar o acoplamento automático na ISS nos próximos dias, garantindo a continuidade das pesquisas de longa duração em órbita terrestre.





