A nova pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21), a apenas quatro dias da votação do segundo turno das Eleições 2026, mostra um cenário de afunilamento e indefinição na disputa presidencial. O levantamento indica o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 44%.
Com a margem de erro fixada em dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois postulantes ao Palácio do Planalto permanecem em condição de empate técnico. A sondagem foi contratada pelo jornal O Globo em parceria com a TV Globo.
Em relação ao levantamento realizado na semana anterior, Flávio registrou uma oscilação de um ponto para baixo, enquanto Lula manteve exatamente o mesmo patamar. Os eleitores que declararam a intenção de votar em branco ou anular o voto somam 9%, e o grupo de indecisos na modalidade estimulada é de 2%.
Salto de indecisos na pesquisa espontânea
Na amostragem espontânea — modelo no qual os nomes dos concorrentes não são apresentados aos entrevistados —, o cenário é de empate numérico absoluto, com ambos os candidatos marcando 40% das citações. Esse indicador é utilizado por analistas para mensurar o grau de convicção e engajamento do eleitorado a poucos dias do pleito.
O dado mais expressivo apurado na modalidade espontânea é a expansão do contingente de eleitores indecisos. Em um intervalo de sete dias, o grupo que não soube ou não quis responder dobrou de tamanho, subindo para 14%.
Impacto de debates e agenda legislativa
A rodada da Quaest reflete a repercussão de marcos decisivos na reta final da campanha. O levantamento capta os desdobramentos da promulgação da proposta que determinou o fim da escala de trabalho 6×1, pauta fortemente explorada pela candidatura de Lula, além das sabatinas na TV Globo e do debate promovido pela Band no último domingo.
Pesquisas qualitativas internas das campanhas apontaram avaliação negativa do eleitorado sobre o tom do primeiro debate na televisão. Diante do diagnóstico, os comitês dos dois candidatos trabalham para reajustar posturas e estratégias com foco no último confronto direto, programado para a TV Globo na próxima sexta-feira.
Duelo de narrativas e dados do levantamento
A reta final da corrida eleitoral também tem sido marcada pelo intensificação dos ataques sobre programas sociais. A campanha petista passou a explorar declarações da coordenadora econômica da chapa adversária, Daniella Marques, para sustentar que uma vitória de Flávio colocaria em risco a continuidade do Bolsa Família. O período de campo do instituto, contudo, captou apenas o início dessa ofensiva nas redes e na propaganda.
O levantamento também mensurou a avaliação do Poder Executivo federal. De acordo com a Quaest, a desaprovação ao governo Lula está em 47%, enquanto a aprovação soma 46%. No quesito rejeição, o índice do atual presidente recuou para 47%, ao passo que a rejeição de Flávio Bolsonaro subiu para 52%.
A pesquisa Quaest ouviu 2.154 pessoas em todo o país entre os dias 17 e 20 de outubro. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-08535/2026, com nível de confiança de 95%.





