A confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais gerou uma onda imediata de declarações de autoridades e chefes de Estado ao redor do mundo. A apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontou a vitória do atual mandatário frente ao senador Flávio Bolsonaro (PL), em uma votação que marcou a primeira virada da história da República entre o primeiro e o segundo turno das disputas presidenciais brasileiras.
O resultado das urnas reverberou rapidamente entre governos de diversas orientações ideológicas. Representantes da América Latina, nações integrantes dos BRICS, além de líderes da União Europeia e dos Estados Unidos, manifestaram-se ao longo desta segunda-feira (26) para parabenizar o presidente reeleito.
Reconhecimento na América Latina
Diversos governantes do continente sul-americano vieram a público saudar o processo democrático. O presidente da Colômbia, Abelardo De La Espriella, destacou que a soberania das urnas deve se sobrepor às divergências políticas entre as gestões.
“O presidente Lula e eu temos grandes e profundas diferenças políticas e ideológicas, mas coincidimos em algo fundamental: Brasil e Colombia se precisam mutuamente. Ninguna consideração pode estar por cima dos interesses de nossas nações”, afirmou o presidente colombiano Abelardo De La Espriella.
Outros líderes regionais também se pronunciaram, ressaltando agendas voltadas à integração econômica, preservação ambiental e segurança:
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Chile: O presidente José Antonio Kast informou ter telefonado para o petista e reforçou a intenção de manter uma agenda conjunta focada na integração econômica e no combate ao crime organizado na região.
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Equador: Daniel Noboa ressaltou que os países da região compartilham desafios comuns e têm muito a avançar trabalhando em parceria.
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Bolívia: Rodrigo Paz felicitou Lula reafirmando os laços históricos entre as duas nações vizinhas.
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Paraguai: Santiago Peña destacou a parceria bilateral voltada para o desenvolvimento mútuo.
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Peru: Keiko Fujimori saudou o eleitorado brasileiro e enfatizou a importância do desenvolvimento sustentável na região amazônica.
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Uruguai: Yamandú Orsi declarou ter conversado diretamente com o brasileiro após a apuração, classificando a eleição como uma celebração da democracia.
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Panamá e México: O presidente panamenho José Raúl Mulino e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum também comemoraram o desfecho do processo eleitoral.
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Cuba: Miguel Díaz-Canel classificou a reeleição como uma vitória histórica para a soberania e a justiça social no país.
Articulação nos BRICS e potências mundiais
Entre os países parceiros do Brasil no bloco dos BRICS, as manifestações reforçaram a manutenção de acordos comerciais e a coordenação diplomática no Sul Global.
A China sinalizou a continuidade da parceria estratégica por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, que ressaltou o respeito da nação asiática à escolha soberana do povo brasileiro. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, ressaltou a intenção de aprofundar as parcerias estratégicas em múltiplos setores. De forma semelhante, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, considerou o resultado uma mensagem expressiva para os países em desenvolvimento.
Na Rússia, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que o governo de Moscou recebeu positivamente a vitória de Lula. Do outro lado da disputa no leste europeu, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, parabenizou o líder brasileiro e ressaltou o desejo de expandingir a cooperação entre os países.
No continente europeu, o presidente francês Emmanuel Macron defendeu o fortalecimento da parceria estratégica bilateral. Já o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, relacionou o resultado ao movimento progressista global, enquanto o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, destacou os laços históricos e culturais que unem o país a Brasília. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pontuou que o multilateralismo e a democracia saem fortalecidos com a conclusão da eleição.
Divergências nos Estados Unidos e manifestações da oposição
Enquanto governadores e congressistas norte-americanos enviaram felicitações — entre eles o governador da Califórnia, Gavin Newsom, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador Bernie Sanders —, os governos da Argentina e dos Estados Unidos não haviam emitido comunicados oficiais até o início da manhã de segunda-feira.
A postura de cautela internacional ocorre paralelamente ao ambiente político interno do Brasil, marcado pelo questionamento e contestação das apurações por parte do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro.





