A derrota no segundo turno da disputa pela Presidência da República trará uma mudança inédita na trajetória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Aos 45 anos, o atual senador ficará sem ocupar um cargo público pela primeira vez em 24 anos.
A carreira política do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro começou em 2003. Na época, aos 21 anos, ele assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), tornando-se o deputado estadual mais jovem daquela legislatura.
Desde a estreia no parlamento fluminense, Flávio passou mais da metade da sua vida ocupando cargos eletivos. Sua trajetória esteve diretamente vinculada à projeção e ao crescimento político de seu pai no cenário nacional.
Trajetória de mandatos e única derrota anterior
O parlamentar permaneceu na Alerj por quatro mandatos consecutivos. Durante essa passagem no Legislativo estadual, tentou alçar voos maiores em 2016, quando disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro pelo antigo PSC.
Naquela ocasião, terminou em quarto lugar no primeiro turno, com 14% dos votos válidos, em pleito vencido por Marcelo Crivella. Até a eleição presidencial de 2026, aquela havia sido a única derrota registrada em seu currículo eleitoral.
Em 2018, impulsionado pela onda conservadora que elegeu Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto, Flávio conquistou uma vaga no Senado Federal representando o Rio de Janeiro. O mandato no Congresso Nacional encerra-se formalmente no final deste ano.
Investigação e polêmicas na carreira
Ao longo de duas décadas na vida pública, o senador esteve envolvido em apurações de repercussão nacional. Ele foi investigado pela suposta prática de “rachadinha” durante o período em que atuou na Alerj. As provas colhidas no processo, no entanto, foram anuladas após decisões das instâncias superiores da Justiça.
Em 2026, o nome do parlamentar voltou a figurar em investigações. Um inquérito passou a apurar repasses financeiros ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, sob suspeita de financiamento do filme “Dark Horse”, produção focada na trajetória de seu pai.
Contestação das urnas e posicionamento do TSE
Logo após a consolidação do resultado das urnas no domingo (25), Flávio Bolsonaro fez um pronunciamento no qual declarou que não aceitaria o resultado do pleito. O senador atribuiu o questionamento à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação até as 19h em seções com filas.
“É impossível reconhecer o resultado das eleições”, declarou o candidato derrotado do PL durante discurso de avaliação da apuração.
A contestação ocorreu a despeito de a própria coligação de Flávio ter acionado a Justiça Eleitoral para pedir a extensão do horário em municípios impactados por chuvas e problemas de transporte.
Diante das declarações da oposição, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, rebateu os questionamentos e assegurou a lisura do processo. O magistrado afirmou que a prorrogação do prazo de fechamento das urnas não causou qualquer prejuízo à totalização dos votos apurados.
Sem novo mandato garantido para os próximos anos, Flávio Bolsonaro enfrentará um período fora da estrutura do Estado a partir de 2027, encerrando um ciclo ininterrupto na vida pública.





