Uma colisão traseira envolvendo dois trens de alta velocidade deixou ao menos 32 pessoas mortas na manhã desta quarta-feira (28), na província de Toledo, região central da Espanha. O acidente ocorreu por volta das 8h45 no horário local (pouco depois das 9h segundo estimativas iniciais) no trecho ferroviário compreendido entre os municípios de Los Yébenes e Urda.
A dimensão da tragédia mobilizou uma grande operação de resgate das forças de segurança, bombeiros e equipes de saúde da comunidade autônoma de Castilla-La Mancha. A gravidade do impacto provocou o descarrilamento de estruturas e a queda de vagões em uma ribanceira ao lado da via férrea.
De acordo com dados confirmados por Esther Padilla, porta-voz do governo regional de Castilla-La Mancha, as duas composições transportavam um número expressivo de ocupantes. Em um dos trens viajavam 146 passageiros e um bebê, enquanto a outra composição transportava 397 pessoas, totalizando 544 passageiros a bordo das composições envolvidas na colisão.
Dinâmica do impacto e descarrilamento
As apurações preliminares fornecidas pelo serviço de emergência 112 indicam que uma das composições, pertencente à operadora privada Iryo, encontrava-se parada ou trafegando em velocidade extremamente reduzida nos trilhos. Nesse momento, o comboio foi atingido na traseira por um trem de alta velocidade modelo AVE, operado pela companhia estatal Renfe.
Com a violência da batida, parte da composição do trem AVE acabou saindo dos trilhos. Vários vagões do comboio da Iryo descarrilaram com a força do choque, e dois deles despencaram por um barranco às margens da ferrovia.
“O tráfego na linha ferroviária de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia foi suspenso após uma colisão traseira entre dois trens”, informou a Adif, administradora da infraestrutura ferroviária espanhola.
Mobilização militar e assistência às vítimas
Diante do cenário de destruição, as autoridades espanholas acionaram a Unidade Militar de Emergências (UME) para dar suporte na retirada de vítimas presas às ferragens e na busca por sobreviventes ao longo do declive. Um Posto de Comando Avançado foi montado nas proximidades do trecho afetado para coordenar a logística do resgate.
Paralelamente, um centro de acolhimento emergencial foi estruturado no município de Urda. No local, voluntários e profissionais da Cruz Vermelha prestam atendimento psicológico, assistência não médica, além de distribuição de alimentos e água para os passageiros resgatados sem ferimentos graves.
Repercussão oficial e pedido de doações de sangue
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, pronunciou-se publicamente sobre o desastre e informou que mantém contato permanente com o ministro dos Transportes, Óscar Puente, e com o presidente da Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page. As causas exatas que levaram uma das composições a parar na via ainda serão investigadas por órgãos técnicos.
Devido ao elevado número de feridos encaminhados aos hospitais da rede pública regional, o governo de Castilla-La Mancha fez um apelo público urgente por doações de sangue. Os pontos de coleta foram mobilizados prioritariamente nas cidades de Alcázar de San Juan, Ciudad Real e Toledo para atender à demanda emergencial.
As empresas operadoras Iryo e Renfe ainda não emitiram notas detalhadas sobre o estado das investigações técnicas internas. As operações de busca e remoção dos destroços devem se estender ao longo de todo o dia na região afetada.





