Um caso considerado extremamente raro chamou a atenção da comunidade científica após uma mulher colombiana descobrir que seus filhos gêmeos têm pais diferentes. A revelação ocorreu durante um teste de paternidade realizado no Laboratório de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional da Colômbia, dois anos após o nascimento das crianças.
O exame foi solicitado pela própria mãe com o objetivo de confirmar a paternidade. Após a análise inicial e a repetição do procedimento para garantir a precisão, os cientistas constataram que os gêmeos compartilhavam o mesmo material genético materno, mas tinham pais distintos.
O fenômeno é conhecido como superfecundação heteropaternal e ocorre quando dois óvulos liberados no mesmo ciclo menstrual são fecundados por espermatozoides de homens diferentes. Trata-se de uma condição extremamente incomum, com cerca de vinte registros documentados em estudos científicos ao redor do mundo.
Para chegar à conclusão, os pesquisadores utilizaram uma técnica baseada na análise de marcadores microssatélites do DNA. O processo envolve a coleta de material genético, amplificação em laboratório e comparação de múltiplos pontos do código genético entre mãe, filhos e supostos pais.
No caso analisado, foram examinados 17 marcadores. O resultado mostrou compatibilidade genética entre o homem testado e apenas uma das crianças, enquanto o outro bebê não apresentava correspondência com o mesmo perfil.
Especialistas explicam que a ocorrência desse fenômeno depende de uma combinação de fatores raros, como a liberação de mais de um óvulo no mesmo ciclo, relações com parceiros diferentes em um curto intervalo de tempo e a fecundação de ambos os óvulos dentro de um período limitado de viabilidade.
A literatura científica aponta que situações como essa são pouco frequentes também porque nem todos os casos passam por testes de paternidade. Ainda assim, com o avanço das tecnologias genéticas e a maior disseminação desses exames, a tendência é que mais ocorrências possam ser identificadas no futuro.
Apesar do interesse científico, os pesquisadores destacam que a análise respeita rigorosamente a privacidade dos envolvidos, sem investigação sobre aspectos da vida pessoal além do necessário para a confirmação genética.





