Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizaram uma ríspida discussão no gabinete de Mendonça que por pouco não evoluiu para agressões físicas. O confronto ocorreu na segunda-feira (31 de agosto) após Moraes tomar conhecimento de que o colega havia determinado à Polícia Federal aprofundar investigações que citavam o seu nome.
O atrito teve início quando Moraes descobriu que Mendonça, relator do processo sigiloso, determinou que a Polícia Federal identificasse o interlocutor do empresário Daniel Vorcaro em conversas investigadas. Nos diálogos, o empresário pedia “proteção” em relação ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A apuração da PF indicou que o interlocutor era o próprio ministro Alexandre de Moraes.
Ao confrontar o colega em seu gabinete, Moraes questionou o direcionamento das apurações e cobrou explicações sobre a condução do caso.
“Eu tenho minhas fontes. Fui ministro da Justiça”, respondeu Moraes ao ser questionado por Mendonça sobre como tomou conhecimento do processo sigiloso.
A legislação e o regimento preveem que investigações envolvendo ministros do STF exigem autorização do conjunto da Corte.
Tensão nos bastidores do tribunal
A reunião no gabinete desandou rapidamente, com troca de acusações e tom ríspido entre os magistrados. A discussão quase descambou para confronto físico antes da intervenção de terceiros para conter os ânimos.
Moraes acusou o colega de direcionar as diligências policiais com o objetivo de atingi-lo. Nos bastidores do tribunal, a avaliação é de que o episódio amplia a crise interna e que Moraes se articula para questionar juridicamente as medidas tomadas no processo.
A crise expôs divergências profundas entre os magistrados sobre a condução de inquéritos sigilosos na Corte.
Até a publicação desta reportagem, os gabinetes dos ministros e a assessoria da Suprema Corte não emitiram pronunciamento oficial sobre a discussão.





