O Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu uma investigação para apurar o caso de Júlia Rimoli Bossoni, de 28 anos, que perdeu parte dos movimentos do corpo após andar em uma montanha-russa do parque Hopi Hari, localizado em Vinhedo, no interior paulista. O acidente ocorreu no dia 20 de abril deste ano.
A jovem embarcou consciente no brinquedo e, ao término do percurso, foi registrada desacordada no carrinho da atração. Moradora de Londrina, no Paraná, Júlia viajou a Vinhedo acompanhada do marido, João Pedro Bossoni. No parque, o casal decidiu andar na Montezum, reconhecida como a maior montanha-russa de madeira da América Latina.
A atração foi inaugurada em 1999 e possui cerca de 42 metros de altura, podendo atingir velocidades de até 103 km/h em um trajeto de pouco mais de um quilômetro de extensão. Naquela tarde, o casal já havia andado na atração mais cedo e decidiu retornar ao brinquedo no fim do dia para aproveitar um benefício do passaporte VIP.
O momento do socorro no parque
Imagens das câmeras de segurança do local registraram o momento em que o casal se acomodou em um dos bancos traseiros do carrinho. Durante o início do percurso, na subida, Júlia aparecia consciente e tranquila. O sistema de monitoramento não possui imagens do restante do trajeto.
Cerca de dois minutos depois, o carrinho retornou à plataforma de desembarque com a visitante já desacordada. Funcionários da atração se aproximaram e, seis minutos após a chegada, Júlia foi colocada em uma maca e removida do local. Logo na sequência, o funcionamento da montanha-russa foi retomado.
A jovem foi encaminhada emergencialmente para a Santa Casa de Vinhedo, situada a cerca de 15 quilômetros do parque de diversões. Devido à gravidade do quadro clínico, a paciente foi transferida diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Diagnóstico e cirurgia de emergência
Os exames iniciais realizados pela equipe médica constataram que Júlia sofreu uma hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral. Diante do risco iminente, os médicos optaram por submetê-la a um procedimento cirúrgico de urgência para conter os danos.
“Foi uma craniectomia descompressiva. Essa cirurgia visa a retirada de uma grande porção da calota craniana para permitir o cérebro fazer esse processo de inchaço”, explicou o neurocirurgião Victor Batistela ao programa Fantástico.
Júlia permaneceu internada por 57 dias na unidade hospitalar de Vinhedo. O diagnóstico formal indicou traumatismo cranioencefálico (TCE), provocado por mecanismo de contragolpe sofrido durante o percurso no brinquedo.
“Apenas um movimento brusco de aceleração e desaceleração e rotação do crânio pode fazer a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais, causando uma hemorragia intracraniana e levando a um edema cerebral, que foi o caso da Júlia em especial”, detalhou o especialista.
Sequelas e posicionamento do parque
A família da jovem afirma que ela não apresentava nenhuma doença pré-existente antes do episódio. Segundo relatos do marido, o impacto causou danos severos à rotina e às funções motoras de Júlia.
“Ela perdeu o movimento do lado esquerdo completamente. O braço e a perna, ela não movimenta. Ela tem dificuldade de fala, memórias turvas”, relatou João Pedro Bossoni.
Diante dos fatos, o Ministério Público paulista requereu uma perícia policial na estrutura da montanha-russa para verificar as condições do equipamento. A investigação prossegue em andamento para esclarecer as responsabilidades.
Em nota oficial enviada ao programa Fantástico, a administração do Hopi Hari informou que a Montezum conta com certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord, com inspeções realizadas anualmente, e reforçou que cumpre rigorosamente as normas nacionais aplicáveis a parques de diversões.
A empresa destacou também que opera com sinalizações sonoras e placas de alerta sobre restrições de uso, “contraindicando a atração para pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas” por se tratar de um brinquedo radical. O parque mencionou ainda um parecer do MPSP, emitido em agosto de 2026 após outro atendimento na enfermaria em julho, que descartou risco coletivo na atração.





