Uma moradora de Bogotá, na Colômbia, chamou a atenção ao oficializar uma união simbólica com uma linha de ônibus do sistema de transporte público local. Yeline Lizbeth Patiño, de 35 anos, realizou uma cerimônia de casamento, tatuou a imagem do veículo no próprio corpo e até mudou de emprego para permanecer próxima à frota.
A colombiana relata sentir atração por máquinas, condição conhecida como mecanofilia, desde os 10 anos de idade. Na infância, o interesse começou por um ônibus intermunicipal. Anos mais tarde, ao acompanhar notícias sobre a capital colombiana pela televisão, ela direcionou o afeto ao sistema articulado do TransMilenio.
Cerimônia simbólica com vestido, bolo e aliança
A ligação com o transporte coletivo se intensificou em 2023, quando Yeline se mudou para Bogotá e passou a utilizar com frequência a linha 60, operada por ônibus articulados identificados pelas siglas A60 e F60, a depender do sentido da rota. Ela esclarece que a paixão não se limita a um veículo físico específico, mas sim à entidade formada pelo ônibus em operação naquele itinerário.
“É essa entidade específica que eu amo: o ônibus articulado TransMilenio quando está operando na linha 60. O painel eletrônico que exibe o número 60 também faz parte da máquina”, explicou Yeline.
Com o apoio de amigos e familiares, a mulher organizou um evento simbólico para celebrar a união. A comemoração contou com vestido de noiva branco, bolo festivo, troca de anel de pérola e até a confecção de um documento figurativo declarando a intenção de casamento com o veículo.
A dedicação também foi registrada na pele. Yeline tatuou no torso a parte frontal do ônibus articulado acompanhada da inscrição “F60 Portal Américas” e do desenho da catedral de Bogotá.
Mudança de rotina e receio sobre o fim da linha
A paixão pelo meio de transporte alterou a rotina profissional de Yeline, que aceitou um trabalho noturno como faxineira para manter contato constante com a frota do município. Embora afirme que também se relaciona com homens, ela descreve o elo com o coletivo como algo singular.
O motivo de expor o caso publicamente é o receio de que a linha 60 seja extinta em razão das obras de expansão do metrô de Bogotá. Diante dessa perspectiva, a colombiana planeja mobilizar grupos de objetófilos e mecanófilos para pedir a permanência do itinerário às autoridades locais.
“Estou apavorada – verdadeiramente apavorada – com a possibilidade de a TransMilenio cancelar essa linha. Estou pedindo apenas uma coisa: que haja um ônibus articulado da TransMilenio com o número 60 em sua rota, não importa para onde ele vá”, declarou.





