O senador e candidato derrotado à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), deixou o Brasil pela fronteira terrestre com a Argentina e segue em viagem com destino aos Estados Unidos. O deslocamento ocorre em meio ao descumprimento de ordens judiciais emitidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com informações oficiais prestadas pela Direção Nacional de Migrações da Argentina, o parlamentar atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves por volta das 22h50 de terça-feira. A travessia liga a cidade de Foz do Iguaçu (PR) ao município argentino de Puerto Iguazú.
Flávio realizou o trajeto acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal. Os dados do departamento de imigração vizinho indicam que a família apresentou documentação válida no momento da fiscalização, sem que fossem registrados alertas para retenção imediata.
Trajeto e escalas em voo particular
Cerca de 40 minutos após passar pelo posto fronteiriço, a comitiva embarcou em um jato executivo modelo Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW. A aeronave foi fretada junto à empresa Baires Fly S.A. e já se encontrava no aeroporto de Puerto Iguazú desde a última segunda-feira.
O voo decolou no início da madrugada desta quarta-feira com destino inicial a Guayaquil, no Equador, onde pousou pouco antes das 6h. Após a escala técnica para reabastecimento e procedimentos operacionais, o avião seguiu viagem com destino final ao aeroporto Miami-Opa Locka Executive Airport, na Flórida.
O governo dos Estados Unidos confirmou a emissão de vistos para o senador e seus familiares. O presidente Donald Trump declarou publicamente que autorizou a entrada da família em território norte-americano.
Modificação nos registros oficiais
As informações repassadas pelas autoridades argentinas alteraram a cronologia das apurações iniciais sobre a localização do parlamentar. Ao longo da terça-feira, integrantes do governo da Argentina chegaram a negar a presença de Flávio no país e descartaram a decolagem de voos privados com esse destino.
Posteriormente, o relatório de tráfego de fronteira confirmou que a travessia ocorreu no final da noite. Uma fonte próxima à família declarou que a decisão de deixar o país foi motivada pelo receio de decretação de prisão preventiva no âmbito das investigações em andamento no Brasil.
Determinação de retenção de documentos
A viagem transfronteiriça foi realizada após o ministro Alexandre de Moraes proibir o senador de se ausentar do país. A medida cautelar foi proferida no âmbito de um inquérito que apura supostas práticas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz.
O STF determinou a entrega imediata dos passaportes ordinários e diplomáticos mantidos pelo parlamentar. Diante do descumprimento do prazo fixado para o recolhimento dos documentos, a Polícia Federal procedeu ao cancelamento formal dos passaportes e iniciou diligências para localizar o senador.
Questionamentos na Justiça local
A movimentação da família em território argentino gerou reações institucionais. A deputada argentina Marcela Pagano formalizou uma denúncia perante a Justiça Federal de Puerto Iguazú pedindo a apuração sobre a conduta das autoridades de fronteira e o cumprimento dos protocolos locais.
A representação solicita o recolhimento das imagens do sistema de monitoramento da ponte internacional, o acesso aos contratos de fretamento da aeronave e a lista oficial de passageiros. A defesa do senador e os órgãos citados foram procurados para manifestação oficial.





