O cenário político no Congresso Nacional sofreu uma reviravolta expressiva nesta semana. O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), atual líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados, anunciou publicamente que desistiu de concorrer à presidência da Casa. A decisão vem no esteio do resultado da disputa presidencial ocorrida no último domingo (25), marcada pela derrota do candidato Flávio Bolsonaro (PL).
A postulação de Sóstenes estava atrelada a uma eventual vitória da oposição no segundo turno do pleito presidencial. Com a consolidação do resultado das urnas na disputa pelo Palácio do Planalto, o parlamentar fluminense reavaliou os rumos de sua atuação e da bancada dentro da Casa de Leis.
“Eu sempre falei que seria presidente da Câmara se o Flávio ganhasse. Não tenho interesse em ser candidato com Lula. Na próxima semana vamos nos reunir com a bancada e decidir.”
Reunião da maior bancada da Casa
Diante do novo quadro político, o líder do PL informou que convocará uma reunião oficial com os integrantes da sigla na próxima semana. O encontro servirá para alinhar a estratégia do partido, que formou a maior bancada do parlamento ao eleger 121 deputados federais para a próxima legislatura.
A pauta principal será definir se o partido lançará um nome alternativo, se manterá postura de neutralidade ou se formalizará apoio à recondução do atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que até então sofria resistência por parte da ala conservadora.
Articulações internas e favoritismo de Motta
Antes do desfecho eleitoral, o PL articulava internamente com mais de uma opção para a corrida pelo comando da Casa. O deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), que exerce o cargo de vice-presidente da Câmara, também movimentava os bastidores para viabilizar seu nome em caso de cenário favorável à oposição, além de pleitear uma vaga de indicação parlamentar ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Com o recuo da liderança do PL, o favoritismo para a continuidade de Hugo Motta ganha tração acentuada no parlamento. Motta construiu um bloco amplo de sustentação, aglutinando dez partidos do centro e do centrão — incluindo PP, Republicanos, União Brasil, PSD, MDB e Podemos —, além da adesão de legendas do campo da esquerda, como PDT, PSB e PV.
A articulação em torno de Motta teve como objetivo isolar o PL durante o período eleitoral, mas a estratégia para a consolidação da nova Mesa Diretora busca evitar rupturas definitivas no plenário.
Apesar dos embates recentes, a presidência da Casa tem mantido canais abertos e não descarta receber o apoio formal dos 121 parlamentares do PL. O plano em andamento prevê buscar inclusive adesões individuais dentro das bancadas para construir uma candidatura de unificação. Para os próximos dias, está prevista uma maratona de reuniões e negociações diretas com os deputados eleitos e reeleitos.





