Novos detalhes sobre os últimos momentos que antecederam a queda do jato executivo modelo Learjet 60 na Flórida, nos Estados Unidos, revelam a apreensão da tripulação a bordo. A copilota brasileira Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, enviou uma mensagem de texto ao namorado exatamente dez minutos antes de a aeronave despencar e pegar fogo em uma área residencial no último domingo (1º).
A jovem aviadora, que possuía dupla cidadania e cresceu no condado de Palm Beach, na Flórida, integrava a equipe responsável pelo voo que decolou de Austin, no Texas, com destino a North Eleuthera, nas Bahamas. A bordo do jato executivo viajavam dois pilotos e sete passageiros, totalizando nove vítimas fatais no acidente.
Mensagem de alerta e desespero no rádio
De acordo com relatos fornecidos pela família da copilota à imprensa internacional, o aviso enviado ao companheiro ocorreu às 12h40 no horário local, enquanto o impacto contra o solo foi registrado logo em seguida, às 12h50.
“Ela simplesmente disse: ‘Estou enfrentando turbulência, estou enfrentando gelo’”, revelou o padrasto da jovem, Thiago Corteleti, em depoimento prestado sobre os últimos contatos da aviadora.
Dados oficiais de rastreamento de voo indicam que a aeronave sofreu uma descompressão e perda abrupta de sustentação, despencando cerca de 7.700 metros em apenas 62 segundos antes da colisão final. Em um dos áudios captados pela frequência de emergência do controle de tráfego aéreo, ouve-se a voz de Nathalia avisando aos controladores sobre a colisão iminente: “Nós vamos colidir com o solo”. Nos momentos finais da gravação, também foi possível ouvir uma voz masculina recitando a oração do Pai Nosso.
Hipótese de desintegração estrutural no ar
Especialistas em aviação civil que analisam as imagens captadas por moradores e por câmeras de segurança na região do impacto apontam para a possibilidade de falha estrutural gravíssima durante a descida descontrolada do Learjet 60.
O especialista em aviação Terry Tozer destacou que o acúmulo severo de gelo combinado com a alta velocidade de queda pode ter superado os limites de resistência da fuselagem.
“A gravação em vídeo, que mostra a aeronave momentos antes do impacto, parece indicar a ausência da cauda. Portanto, tudo leva a crer que houve uma desintegração da aeronave durante o voo”, explicou o especialista.

Trajetória precoce e paixão pela aviação
Nascida em uma família originária do Espírito Santo, Nathalia Gadelha desenvolveu a paixão pelo setor aéreo ainda na adolescência. Em 2020, enquanto cursava o ensino médio na West Boca Raton High School, matriculou-se em formações teóricas de pilotagem influenciada pelo interesse de seu pai na aviação recreativa.
A jovem conquistou sua licença de piloto privado em outubro de 2023, aos 17 anos, marca alcançada antes mesmo de obter a habilitação para dirigir automóveis. Em entrevista concedida à rede CBS12 na época de sua primeira graduação aérea, a brasileira brincava sobre a situação incomum.
“Eu certamente me gabo disso, porque as pessoas dizem: ‘Ah, você não sabe dirigir’, e eu respondo: ‘É, mas eu sei voar’”, declarou Nathalia na ocasião.
Após a formação inicial, Nathalia acumulou cerca de 1.300 horas de voo, atuou como instrutora e obteve a licença de piloto comercial em 2026. As autoridades do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) dos Estados Unidos continuam investigando os destroços para emitir o relatório pericial definitivo sobre as causas da tragédia.





