O Ministério da Fazenda iniciará nos próximos dias um ciclo intensivo de reuniões e consultas técnicas com economistas, representantes da sociedade civil e agentes do mercado financeiro. O objetivo da rodada de conversas é colher sugestões e validar propostas voltadas ao fortalecimento da gestão fiscal do país e ao aprimoramento do controle de gastos públicos.
As diretrizes consolidadas durante o processo de escuta serão estruturadas em um pacote e apresentadas ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, logo após o seu retorno da viagem oficial para a Conferência das Partes (COP31), que será realizada na Turquia na próxima semana.
“Nós estamos cumprindo etapas. Vou seguir nessa escuta durante a viagem do presidente. A mensagem mais importante é que quem investe nesse país não vai ter nenhuma dificuldade quanto à previsibilidade”, declarou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Reunião no Planalto e divisão de tarefas
O anúncio da agenda de conversas foi feito pelo ministro Dario Durigan logo após o término de um encontro de trabalho no Palácio do Planalto direcionado à avaliação do quadro econômico. A reunião contou com a presença de integrantes da alta cúpula do governo federal, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, além do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Durante a reunião com o presidente da República, contudo, não foram debatidas medidas específicas ou cortes pontuais de despesas. A condução direta dos trabalhos de elaboração e formatação do texto final das propostas de aprimoramento das contas públicas ficará concentrada sob a responsabilidade dos ministros Dario Durigan e Bruno Moretti.
De acordo com o titular da Fazenda, os estudos econômicos buscarão equilibrar o rigor orçamentário com a manutenção dos compromissos sociais assumidos pela gestão federal, com foco nas camadas de menor renda da população.
A estratégia da equipe econômica buscará o reforço direto das regras vigentes de controle dos gastos públicos, visando acalmar os ânimos do setor produtivo e do mercado financeiro.
Cenário de pressão e volatilidade dos mercados
A mobilização do Poder Executivo para promover ajustes no Orçamento ganha ritmo em meio a uma combinação de fatores de pressão sobre a economia nacional. O ambiente de incerteza fiscal tem se refletido no comportamento dos indicadores financeiros nos últimos meses, provocando instabilidade e volatilidade nos ativos.
Desde a consolidação do pleito presidencial, o principal índice da bolsa de valores brasileira registrou uma retração superior a 30 mil pontos. Paralelamente, a cotação da moeda norte-americana apresentou trajetória de alta contínua, saindo do patamar inferior a R$ 5,00 para alcançar a marca de R$ 5,49 na tarde desta quinta-feira (5).
Política monetária e sinalização do Banco Central
Outro elemento de forte pressão sobre a condução da política econômica partiu da mais recente deliberação do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. O colegiado optou por manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75% ao ano, destacando em seu comunicado oficial a influência das decisões fiscais do governo na trajetória dos juros.
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Alerta do Copom: “O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”.
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Meta de superávit para 2027: O centro da meta fiscal estabelece a busca por um superávit primário de R$ 73,2 bilhões, o equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O alinhamento do texto orçamentário para o exercício de 2027 é considerado um passo essencial pela equipe econômica para assegurar o cumprimento das metas fiscais fixadas e restabelecer a confiança dos investidores no planejamento financeiro da União.




