O governo dos Estados Unidos acusou formalmente o Brasil de falhar no combate às duas maiores facções criminosas do país: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A posição oficial do governo norte-americano consta em um relatório entregue ao Congresso dos EUA nesta quarta-feira (16).
No documento, a Casa Branca cobra posicionamento imediato do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A gestão de Donald Trump pede que Brasília adote, com urgência, medidas enérgicas para enfrentar e neutralizar a atuação desses grupos em território nacional e internacional.
Ameaça global e narcotráfico
A avaliação de Washington ocorre após os Estados Unidos incluírem recentemente o PCC e o Comando Vermelho em sua lista oficial de organizações terroristas. O relatório anual, que traça um panorama sobre o tráfego e a rota do наркоtráfico no mundo, aponta que o Brasil assumiu um papel central na logística do crime organizado.
Segundo o levantamento emitido pelo Executivo norte-americano, as organizações criminosas nascidas em presídios brasileiros ultrapassaram as fronteiras nacionais e transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína, abastecendo mercados na América do Norte, Europa e África.
Cobrança e comparação regional
O documento enviado ao Legislativo dos Estados Unidos faz uma comparação direta entre a postura adotada pelo Brasil e a atitude de outros países da América Latina no enfrentamento aos cartéis de drogas.
De acordo com o texto da Casa Branca, enquanto diversos governos do Hemisfério Ocidental vêm implementando “medidas corajosas” para erradicar o crime organizado em seus territórios, o Brasil não tem demonstrado o mesmo nível de enfrentamento contra a expansão do PCC e do CV.
“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas firmes para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, afirma o relatório norte-americano.
Tensão diplomática e próximos passos
A classificação das facções como grupos terroristas por parte de Washington e as duras críticas à política de segurança pública brasileira elevam a tensão diplomática entre os dois governos.
Até o momento do fechamento desta reportagem, o Palácio do Planalto, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não haviam se pronunciado oficialmente sobre os apontamentos e as exigências feitas pelo relatório dos Estados Unidos.




