A disputa interna no Partido Liberal ganhou novos contornos após o presidente da sigla em Goiás, senador Wilder Morais, defender a expulsão do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa. A reação ocorreu após o gestor municipal declarar apoio público à pré-candidatura de Daniel Vilela (MDB) ao governo estadual nas eleições de 2026.
Em vídeo publicado na noite desta quinta-feira (27/8), Wilder recorreu ao nome de Jair Bolsonaro para respaldar a punição. O senador afirmou ter convicção de que o ex-presidente não concordaria com a permanência de Márcio Corrêa nos quadros do PL diante da aliança construída com o MDB.
“Tenho certeza absoluta de que o presidente Bolsonaro não concorda e não aceita a permanência de quem apoia adversários no nosso partido.” — declaração do senador Wilder Morais em publicação nas redes sociais.
Contradição com o histórico recente de Bolsonaro
Apesar do tom adotado pelo presidente estadual da sigla, a cobrança por purismo partidário esbarra no recente histórico de articulações do próprio ex-presidente e da cúpula nacional do PL.
Nas eleições municipais de 2024, por exemplo, o próprio Jair Bolsonaro gravou vídeos de campanha pedindo votos para Ricardo Nunes, candidato do MDB à Prefeitura de São Paulo. A parceria se estendeu para o cenário eleitoral de 2026.
No território paulista, o PL integra a coligação pela reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao lado do MDB, do PSD e do União Brasil. A convenção oficial contou inclusive com a presença do senador Flávio Bolsonaro.
Apoio polêmico a adversários históricos no Ceará
A flexibilidade pragmática das alianças do PL nacional também ficou evidente na região Nordeste. No Ceará, a direção nacional do partido chancelou o apoio formal à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Estado.
A aliança uniu a sigla a um dos maiores adversários históricos do bolsonarismo nas disputas presidenciais de 2018 e 2022. De acordo com interlocutores da executiva nacional do PL, a composição cearense contou com o aval direto do próprio Jair Bolsonaro.
Retribuição local e apoio mantido a Flávio Bolsonaro
No cenário local, a decisão do prefeito de Anápolis em apoiar Daniel Vilela foi construída como uma retribuição à aliança firmada pela legenda emedebista na eleição municipal de 2024, quando o MDB integrou sua chapa vitoriosa.
Apesar da composição regional com o MDB, interlocutores do prefeito ressaltam que Márcio Corrêa segue totalmente integrado aos projetos nacionais e estaduais do alinhamento bolsonarista.
O gestor mantém apoio declarado a Flávio Bolsonaro para a Presidência da República, além de marchar ao lado de Gustavo Gayer na disputa pelo Senado e do Major Vitor Hugo para a Câmara dos Deputados.
Pedido de expulsão formulado por assessor do Senado
A retórica de confronto interno na legenda se desdobrou em medidas formais dentro da própria estrutura partidária em Goiás.
A representação que pede o cancelamento da filiação de Márcio Corrêa foi protocolada por Lehninger Thiago Mota. O autor do pedido é assessor comissionado lotado diretamente no gabinete de Wilder Morais no Senado Federal.
O processo de infração ética deve tramitar na comissão executiva partidária nos próximos dias, intensificando a divisão do PL na segunda maior economia do estado.





