O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin determinou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresente explicações, no prazo de cinco dias, sobre a decisão que resultou na anulação de votos e na consequente vitória do candidato Douglas Ruas (PL) ao governo do estado do Rio de Janeiro ainda no primeiro turno. A medida judicial foi adotada após uma demanda protocolada pela coligação do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD).
No mesmo despacho assinado pelo magistrado, o tribunal também solicitou formalmente que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre o caso. Zanin pontuou que a exigência das informações não ocasionará prejuízo para a análise posterior e aprofundada dos requisitos formais de admissibilidade da arguição de descumprimento apresentada.
A dinâmica da apuração e a virada no primeiro turno
A confirmação de Douglas Ruas como governador eleito do Rio de Janeiro ocorreu no dia 10 de outubro, após a oficialização do resultado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
Com a recontagem oficial decorrente de determinações judiciais superiores, Ruas alcançou 50,88% dos votos válidos, superando a margem necessária para assegurar o triunfo no primeiro pleito, dispensando a realização de um segundo turno.
A reviravolta no cenário eleitoral fluminense teve início quando o TSE ordenou a anulação de 274.411 votos obtidos por Anthony Garotinho (Republicanos). A candidatura do político foi barrada em decorrência de uma condenação judicial por improbidade administrativa.
Antes da exclusão dos sufrágios do adversário, Douglas Ruas figurava com 49,27% dos votos válidos. Com a redistribuição e a retirada dos votos nulos de Garotinho do cálculo geral, o percentual do candidato do PL saltou para a marca vitoriosa de 50,88%. O segundo colocado na disputa, Eduardo Paes, encerrou o pleito com 44,16% e reconheceu publicamente o resultado nas urnas.
Perfil e trajetória do novo governador
Com a vitória consolidada, Douglas Ruas quebrará marcas históricas na administração pública fluminense. Aos 37 anos de idade, ele se tornará o mais jovem governador a assumir o comando do Palácio Guanabara desde a fusão administrativa entre os estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, efetivada no ano de 1975.
Além disso, Ruas será o primeiro chefe do Poder Executivo estadual nascido após o encerramento do período da ditadura militar, em 1985. O recorde geracional anterior pertencia ao próprio Anthony Garotinho, que assumiu o cargo executivo aos 38 anos de idade, em 1999.
Atualmente exercendo o cargo de presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2022, registrando 175.977 votos. Antes da carreira legislativa, atuou como policial civil e exerceu funções administrativas públicas, tendo comandado a Secretaria de Cidades durante a gestão do atual governador Cláudio Castro (PL) e atuado na prefeitura de São Gonçalo, administrada por seu pai, o prefeito Capitão Nelson (PL).
Contexto da candidatura e próximos passos institucionais
A ascensão de Ruas à cabeça de chapa ocorreu em um contexto de reconfiguração política, após a prisão de Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Alerj que era investigado por suposto vazamento de dados sigilosos de uma operação da Polícia Federal. Ao longo da campanha, o candidato buscou consolidar a imagem de renovação e pertencimento a uma nova geração de líderes políticos.
A proclamação oficial da chapa vencedora foi programada para o dia 15 de outubro, enquanto a solenidade de posse do novo governador fluminense está agendada para ocorrer no dia 6 de janeiro de 2027, no Palácio Guanabara. O andamento da ação no STF poderá influenciar o debate jurídico em torno dos critérios de recontagem adotados pela justiça eleitoral no pleito estadual.





