Após uma ostensiva operação policial que se estendeu por mais de 30 horas, as forças de segurança capturaram um homem de 33 anos investigado por praticar uma sequência de execuções no Vale do Mamanguape, litoral norte da Paraíba. O suspeito, identificado como Jorlan Lopes da Silva, foi localizado no município de Mulungu enquanto usava vestido, peruca, sandálias femininas, óculos escuros e unhas pintadas na tentativa de despistar os agentes.
No momento da abordagem policial, o homem segurava uma criança de aproximadamente dois anos no colo. De acordo com informações das autoridades, o menino foi resgatado sem ferimentos, e a origem da relação entre a criança e o investigado permanece sob apuração.
Alegações de dezenas de mortes e histórico criminal
Durante o depoimento prestado à equipe de investigação, Jorlan declarou ter assassinado cerca de 80 pessoas ao longo de sua vida. A Polícia Civil não confirmou o quantitativo alegado pelo suspeito e realiza levantamentos em acervos de inquéritos antigos para confrontar as declarações.
Até o momento, os levantamentos oficiais conectam o investigado a pelo menos 16 homicídios consumados nos últimos três meses. A sequência de execuções começou em maio, período em que ele deixou o sistema penitenciário após cumprir cinco anos de pena.
“De lá pra cá, ele vem cometendo diversos crimes violentos, sob a alegação de que suas vítimas seriam pessoas envolvidas com o mundo do crime. Ele, com o sentimento de fazer justiça com as próprias mãos, acaba cometendo esses assassinatos”, explicou o delegado responsável pelo caso, Douglas Garcia.
Em seu interrogatório, o suspeito rebateu a tese de que pertenceria a uma facção criminosa da região e sustentou que agia de forma individual. Ele argumentou que seus alvos eram restritos a indivíduos ligados ao crime.
“Nunca mexi com nenhum pai ou mãe de família, trabalhador, nada. Só com criminoso. Eu sozinho respondo pelos meus atos”, alegou o investigado no depoimento, afirmando ainda ter cometido o primeiro assassinato aos 13 anos de idade.
Cerco em área de mata e apreensão de arsenal
A captura do suspeito exigiu logística complexa devido ao fato de ele se abrigar em regiões de vegetação densa. No final de agosto, equipes policiais chegaram a localizá-lo na área rural de Rio Tinto, mas o homem conseguiu escapar após uma troca de tiros com os agentes.
Na ação do último domingo (13), os policiais encontraram o acampamento utilizado como base pelo investigado. No local, a equipe apreendeu coletes à prova de balas, coronha de submetralhadora, carregadores alongados e mais de 100 munições. Jorlan assumiu a posse de todo o armamento recolhido.
Após a realização da audiência de custódia, a Justiça determinou a conversão da prisão em flagrante para preventiva por tempo indeterminado. O homem foi transferido para a Penitenciária Desembargador Sílvio Porto, localizada em João Pessoa. As investigações prosseguem para determinar seu eventual envolvimento em outros assassinatos sem autoria solucionada no estado.





