Um caso de discriminação racial e violência física provocou indignação na comunidade escolar de São Sebastião, no Distrito Federal. Um estudante de 12 anos foi vítima de insultos racistas e gravemente espancado por outro aluno, matriculado no 7º ano do ensino fundamental, dentro das dependências de uma escola da rede pública.
Antes de o confronto físico ser iniciado, a vítima recebeu ofensas verbais diretas de cunho discriminatório, sendo atacada com termos como “preto” e “neguinho”.
Ofensas racistas e agressão no pátio
Segundo as informações registradas na ocorrência, a agressão verbal no pátio do estabelecimento evoluiu rapidamente para atritos físicos. Após uma breve troca de empurrões e esbarrões, o agressor derrubou o menino de 12 anos no chão.
Sem chance de reação ou defesa, o estudante passou a ser atacado com uma sucessão de socos e chutes no rosto, ombros e costas. A sequência de agressões só foi interrompida quando outro aluno interveio na cena e separou os envolvidos.
Imagens gravadas por alunos mostram a gravidade da violência. No registro em vídeo, é possível ver dezenas de estudantes aglomerados ao redor do pátio assistindo às agressões sem intervir.
Registro policial, lesões e posicionamento da defesa
A mãe da vítima procurou a 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião) para registrar a ocorrência. Fotografias anexadas ao procedimento mostram marcas e hematomas espalhados pelo corpo do estudante, com ferimentos concentrados nos braços, ombros, costas e na face.
O advogado constituído pela família da vítima, Lucas Fagner Fernandes Pereira, repudiou o episódio e cobrou apuração rigorosa de todas as instâncias.
“É estarrecedor que uma criança, dentro do ambiente escolar, seja vítima de racismo e de tamanha violência física justamente onde deveria estar protegida. As crianças são o futuro da humanidade, mas que futuro estamos construindo quando a infância já é marcada pelo racismo e pela violência? A família nos constituiu e buscaremos respostas e a apuração das responsabilidades perante todos os órgãos competentes”, afirmou o jurista.
Apuração administrativa e transferência do agressor
A Secretaria de Educação do Distrito Federal confirmou a abertura de um procedimento interno para apurar as circunstâncias do fato e a conduta dos envolvidos dentro da unidade.
Como medida imediata de segurança e conformidade com os protocolos institucionais, o órgão determinou a transferência do aluno agressor para outra instituição de ensino da rede pública. A Polícia Civil prossegue com a apuração dos atos análogos aos crimes de injúria racial e lesão corporal.




