O julgamento do ex-deputado distrital Carlos Pereira Xavier, acusado de mandar assassinar o adolescente Ewerton da Rocha Ferreira, de 16 anos, em março de 2004, teve início na manhã desta quarta-feira (23). As primeiras testemunhas foram ouvidas no Fórum do Recanto das Emas, no Distrito Federal, em uma sessão que se estende ao longo de todo o dia.
Entre os depoimentos colhidos no período matutino estão os pais da vítima, a ex-esposa do réu e uma vizinha que frequentava a mesma igreja das famílias. Durante a tarde, outras quatro testemunhas depõem perante o tribunal. A previsão das autoridades judiciais é de que o veredito e a sentença sejam proferidos na madrugada de quinta-feira (24).
Durante a sua oitiva, o pai do jovem, o oficial do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal Oscar Ferreira, revelou que o ex-deputado foi até a sua residência para confrontar a família. A motivação da visita seria a suspeita de um envolvimento amoroso entre o adolescente e Maria Lúcia, então esposa de Xavier.
De acordo com o relato do militar, o ex-parlamentar alegou ter recebido propostas para encomendar a morte do adolescente, informação que teria chegado ao seu conhecimento por meio de outro frequentador da comunidade religiosa.
“Ele foi até à minha casa e perguntou qual era a relação do meu filho com a esposa dele. Ele disse que não aceitou propostas para matar o meu filho por respeito a mim. Ele apontou o dedo na cara do meu filho e disse: ‘É muito perigoso você mexer com mulher casada‘”, revelou o pai da vítima.
A mãe de Ewerton, Cirlene Ribeiro da Rocha, também prestou depoimento sob forte emoção. Ela relatou que era amiga da esposa de Xavier e confirmou que a mulher costumava presentear o adolescente, embora tenha ressaltado desconhecer qualquer tipo de relacionamento amoroso entre os dois.
“Eu espero justiça. Era um menino cheio de sonhos. Ele é a maior saudade que eu tenho”, declarou a mãe do adolescente.
Tanto Oscar quanto Cirlene pontuaram que só souberam da suspeita do envolvimento de Carlos Xavier no homicídio do filho a partir das conclusões apresentadas pelas investigações da Polícia Civil.
Contradições e posição da defesa
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Depoimento da ex-esposa: Maria Lúcia negou qualquer envolvimento afetivo ou sexual com o adolescente. Ela afirmou que o jovem apenas frequentava a mesma igreja e trabalhou na campanha eleitoral de Xavier em 2002, além de pontuar que acredita na inocência do ex-marido.
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Relacionamentos posteriores: Em sua fala, Maria Lúcia declarou ter se relacionado apenas com outro homem após a separação do ex-deputado.
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Tese da defesa: O advogado responsável pela defesa de Carlos Xavier reafirmou a tese de inocência do cliente e destacou como prova de transparência o fato de ter arrolado a própria autoridade policial responsável pelo inquérito como testemunha do réu.





