Em um depoimento tenso e marcado por declarações polêmicas, o ex-deputado Carlos Xavier prestou depoimento no Tribunal do Júri pelo julgamento da morte do adolescente Ewerton Rocha Ferreira. O interrogatório do réu ocorreu na noite desta quarta-feira (23) e se estendeu pela madrugada.
Durante o relato sobre o fim do seu casamento, Xavier fez graves acusações contra a conduta da ex-esposa. O ex-parlamentar sustentou que a relação já havia terminado informalmente antes do crime e tentou afastar a tese de que o homicídio do jovem teria sido motivado por ciúmes.
Declarações sobre a ex-esposa e revolta no plenário
Ao detalhar a dinâmica familiar da época, Carlos Xavier afirmou que continuava dividindo a mesma residência com a mulher, mas que ambos já estavam “separados de corpos”. O ex-deputado declarou ter descoberto relacionamentos extraconjugais dela e citou um homem chamado Renan como o pivô definitivo da separação.
Foi durante esse trecho do depoimento que o réu deu uma declaração que causou forte comoção e indignação no plenário do júri.
“Eu teria que ter matado muita gente se dependesse de todos os amantes dela”, disse o ex-deputado Carlos Xavier durante o interrogatório.
Xavier argumentou ainda que o crime ocorreu oito meses após a separação do casal e que Ewerton sequer foi o pivô do término. As falas provocaram choro e revolta entre os familiares do adolescente presentes na sessão, fazendo com que o pai da vítima precisasse ser amparado e deixasse a sala de julgamento.
Relação com a igreja e velório do jovem
O ex-deputado mencionou que chegou a ir ao velório de Ewerton, realizado na igreja que costumava frequentar. Ele explicou que o templo religioso também servia como base logística para suas atividades de campanha eleitoral na época.
Xavier afirmou ser cristão e declarou que um grupo de jovens ligado à ex-esposa costumava se reunir no local para festas. Segundo o ex-parlamentar, esses encontros contavam com o uso de substâncias ilícitas.
Divergências entre policiais no depoimento de testemunhas
Antes do interrogatório do réu, o júri ouviu o depoimento de oito testemunhas, incluindo quatro policiais civis aposentados que participaram das investigações na época dos fatos. Os depoimentos expuseram divergências técnicas sobre a classificação do crime.
A delegada aposentada Lúcia Antônia de Moraes, que coordenou o caso inicialmente, ratificou a tese de assassinato encomendado.
“Quando nós chegamos ao local e começamos a analisar as circunstâncias em que o corpo foi encontrado, a primeira impressão que tivemos foi de que aquilo tinha características de uma execução”, declarou a delegada aposentada Lúcia Antônia de Moraes.
O ex-investigador Mário Gomes, que hoje atua como advogado, reforçou a tese de execução citando os laudos periciais da época. Segundo ele, a vítima foi atingida por um tiro na nuca, tipo de perfuração que não é praxe em casos de latrocínio.
Por outro lado, o delegado aposentado Hertz Andrade Santos, arrolado pela defesa, argumentou que o fato de o corpo do jovem ter sido localizado sem roupas e sem pertences pessoais poderia indicar um roubo seguido de morte.
O ex-diretor da Polícia Civil do DF, Laerte Bessa, pontuou que as quebras de sigilo telefônico não registraram chamadas diretas entre Xavier e os executores, ponto que foi questionado pelos promotores de Justiça sobre a possibilidade de acertos presenciais sem rastro telefônico. O julgamento prossegue com os debates entre defesa e acusação.





