Passageiros de um voo comercial da companhia Flydubai vivenciaram momentos de terror a milhares de metros de altitude e precisaram agir rapidamente para evitar uma tragédia de grandes proporções. O caso ocorreu a bordo de um Boeing 737 que cumpria o trajeto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com destino a Tel Aviv, em Israel, transportando 174 pessoas.
Durante o trajeto, o copiloto da aeronave, identificado pelas autoridades como um cidadão de Omã, esfaqueou o comandante indiano Smit Machchhar e assumiu o controle dos manetes na tentativa de derrubar o avião. O ataque resultou em uma perda abrupta de altitude de mais de 14 mil pés em menos de 30 segundos.
Gravemente ferido, o comandante Machchhar usou suas últimas forças para acionar a liberação da porta da cabine de comando. A atitude do piloto permitiu que os passageiros percebessem a gravidade da situação e invadissem o compartimento para conter o agressor.
Invasão da cabine e controle da aeronave
Ao ouvir os barulhos de luta e gritos no corredor, três passageiros israelenses correram em direção ao cockpit. O passageiro Yaniv Hayoun relatou em encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que encontrou o comandante ensanguentado no chão e o copiloto debruçado sobre os painéis tentando forçar a queda.
Hayoun aplicou um golpe no pescoço do copiloto, imobilizando-o e puxando-o para fora da cabine. Ao perceber que a aeronave continuava inclinada em queda livre, o próprio passageiro assumiu os manches para tentar nivelar o voo antes da chegada de profissionais.
“Segurei os controles e puxei para trás para nivelar o avião. Eu assisto a Air Crash Investigation, senhor primeiro-ministro.” — Yaniv Hayoun, passageiro que ajudou a estabilizar a aeronave
Na sequência, dois pilotos da própria companhia aérea que viajavam como passageiros fora de serviço assumiram o comando do Boeing 737, estabilizando o voo e direcionando a rota para um pouso de emergência no aeroporto de Tabuk, localizado no noroeste da Arábia Saudita.
Contenção do agressor e primeiros socorros
Do lado de fora da cabine, os passageiros Tzvika Manes e Asaf Rajuan lutaram por cerca de 25 minutos para manter o copiloto totalmente neutralizado. Diante da falta de equipamentos adequados a bordo, os homens utilizaram fios de fones de ouvido para amarrar os pulsos e pernas do agressor até o momento do pouso.
Paralelamente à contenção do criminoso, o dentista israelense Shota Musayev, que também viajava no voo, prestou os primeiros socorros ao comandante Machchhar. O médico conseguiu estancar o sangramento severo na cabeça e estabilizar a pressão arterial do piloto ainda dentro da cabine.
“É algo que você faz sem pensar. Você simplesmente corre para salvar a vida da sua filha, a vida da sua família.” — Asaf Rajuan, passageiro que ajudou a imobilizar o agressor
Investigação e acusação de terrorismo
Após o pouso forçado em solo saudita, forças de segurança locais invadiram a aeronave e colocaram o copiloto sob custódia. O comandante ferido foi transportado às pressas para um hospital da região, onde passou por procedimentos médicos e permanece em quadro estável.
As autoridades de Israel e da Arábia Saudita trabalham conjuntamente na apuração do caso. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou publicamente que as apurações preliminares tratam o episódio como uma tentativa de ataque terrorista de motivação jihadista.





