A disputa pela Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026 está definida entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em votação marcada para o dia 25 de outubro. No primeiro turno, realizado no domingo (4/10), o candidato do PL obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do atual presidente, estabelecendo uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos.
Com trajetórias e alinhamentos políticos distintos, ambos apresentam planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que contrapõem o tamanho da atuação estatal, diretrizes econômicas, segurança e a relação entre os Três Poderes.
Economia e modelo de desenvolvimento
A visão sobre a intervenção estatal na economia figura como a principal divergência entre os planos. Enquanto a candidatura de Lula defende um papel ativo do governo na indução do crescimento econômico e no combate às desigualdades, Flávio Bolsonaro aposta no protagonismo da iniciativa privada.
O programa do PT propõe o fortalecimento da política industrial, a manutenção do novo arcabouço fiscal para equilíbrio das contas e maior progressividade tributária, visando tributar mais as faixas de maior renda.
Já o plano do PL estabelece a redução de impostos, a revisão da reforma tributária de 2023, privatizações e o enxugamento da máquina pública por meio do corte de ministérios.
Segurança pública e justiça penal
Na área da segurança, as estratégias diferem entre o enquadramento financeiro e o recrudescimento da legislação penal. Lula propõe o fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), maior controle de armas e ações de inteligência focadas na asfixia financeira das facções criminosas pela Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro defende o enquadramento de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho no status de organizações narcoterroristas. Suas propostas incluem também:
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Redução da maioridade penal de 18 para 16 anos;
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Construção de cinco novos presídios de segurança máxima inspirados no modelo de El Salvador;
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Implementação de um sistema de reconhecimento facial com previsão de 1 milhão de câmeras.
Relação institucional e Supremo Tribunal Federal
O funcionamento do Poder Judiciário, em especial do Supremo Tribunal Federal (STF), divide as candidaturas. Flávio Bolsonaro propõe a implementação de mandatos com prazo determinado para os ministros da Corte, limitação de decisões monocráticas e defende o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
“A proposição de Lula é uma guerra de trincheiras: ficar onde está e impedir o avanço conservador, enquanto o plano de Flávio foca em reformas para diminuir gastos do governo”, avalia Francisco Teixeira, professor de História da UFRJ.
Lula não inseriu mudanças estruturais do STF em seu programa oficial, embora tenha declarado em entrevistas recentes ser favorável à fixação de tempo limite para a permanência de ministros na Corte. O próximo presidente eleito será responsável pela indicação de pelo menos três novos integrantes ao STF.
Além disso, a concessão de anistia aos condenados pelos atos democráticos de 8 de janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro é defendida por Flávio, enquanto a manutenção das condenações é sustentada por Lula.
Educação, Saúde e Trabalho
No setor educacional, Lula foca na ampliação de vagas em creches, ensino integral, expansão dos Institutos Federais e consolidação do programa Pé-de-Meia. Flávio defende o método fônico de alfabetização, fomento a escolas cívico-militares e a concessão de vouchers educacionais.
Na saúde, ambos preveem a integração digital de dados e uso de inteligência artificial. Lula coloca como prioridade o fortalecimento do SUS e a expansão do Mais Médicos, enquanto Flávio propõe ampliar a contratação de serviços da rede privada para diminuir as filas de atendimento.
Em relação ao mercado de trabalho, a campanha petista prevê o fim da escala 6×1 com jornada de 40 horas semanais sem redução salarial. A candidatura do PL defende a flexibilização das contratações formais e a prevalência do negociado sobre o legislado.
Meio Ambiente e Relações Internacionais
A meta ambiental de Lula visa zerar o desmatamento líquido até 2030, com demarcação de terras indígenas e combate ao garimpo ilegal. Flávio fixa a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029, mas defende a simplificação de licenças ambientais para obras de infraestrutura e declara que não fará novas demarcações territoriais.
Na política externa, Lula enfatiza a atuação dentro dos Brics e a integração do Mercosul. Flávio propõe a retomada do processo de entrada na OCDE e a reaproximação diplomática com governos dos Estados Unidos, Argentina e Israel.





