A reeleição do deputado estadual Fagner Calegário (União Brasil) para mais um mandato na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) ultrapassa a expressiva marca dos números. Os 13.640 votos conquistados no pleito do último domingo (4) não apenas asseguraram sua permanência no Parlamento, mas o consagraram como o segundo deputado estadual mais votado de todo o estado, ficando atrás somente de Nicolau Júnior, que somou 18.149 votos.
A dimensão do resultado ganha relevância quando confrontada com o histórico do parlamentar nas urnas. A trajetória de Calegário foi construída de forma gradual. Em 2014, disputou sua primeira vaga na Aleac e obteve a suplência. Quatro anos depois, em 2018, foi eleito pelo PV com 3.731 votos.
Em 2022, filiado ao Podemos, dobrou seu desempenho ao alcançar 7.112 votos, tornando-se o terceiro candidato mais votado em Rio Branco. Agora, em 2026, filiado ao União Brasil, saltou para 13.640 votos, acumulando um crescimento de aproximadamente 3,7 vezes em relação à sua primeira vitória.
Das pautas de trabalhadores à ampliação na Assembleia
A origem política de Fagner Calegário está associada à defesa dos direitos dos trabalhadores terceirizados. Antes de ocupar uma cadeira no Poder Legislativo, ele atuar na representação da categoria e estruturou sua primeira base eleitoral nesse segmento, combinando a atuação laboral com projetos esportivos comunitários em Rio Branco.
Após a chegada à Aleac, o parlamentar manteve a bandeira original, articulando a conquista e a manutenção do auxílio-alimentação para a categoria e defendendo a criação do auxílio-saúde. No entanto, ao longo dos mandatos, passou a diversificar suas proposições legislativas para alcançar novas parcelas da sociedade.
A produção do parlamentar passou a incluir projetos voltados para a contratação de jovens aprendizes no serviço público estadual, incentivos à saúde sexual e reprodutiva de adolescentes, além da criação da Semana Estadual de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente. Calegário também apresentou projetos focados no empreendedorismo, na proteção de mulheres vítimas de violência e na atenção à população idosa.
No segmento esportivo, o deputado liderou o debate para a regulamentação dos esportes eletrônicos (eSports) no estado, propondo o incentivo às modalidades virtuais como atividade extracurricular na rede pública estadual de ensino.
Desempenho nas urnas e expansão para o interior
O resultado apurado no último domingo consolidou a expansão da presença política de Calegário para além da capital acreana. Dos 470 mil votos válidos registrados para o cargo de deputado estadual em todo o estado, o parlamentar garantiu 2,88% do eleitorado total.
Em Rio Branco, o candidato somou 6.279 votos, montante equivalente a menos da metade de sua votação total. A apuração revelou que mais de 7 mil votos foram conquistados nos municípios do interior do estado, evidenciando uma distribuição territorial mais ampla de sua base eleitoral.
“A ampliação da presença no interior consolidou a transição de uma candidatura ligada a um segmento profissional para uma liderança de projeção estadual.”
Essa movimentação foi impulsionada pela intensificação de agendas nos municípios do interior ao longo do último mandato. Em agosto deste ano, o parlamentar recebeu o título de cidadão honorário no município de Epitaciolândia, no Alto Acre, em razão de atuações voltadas para infraestrutura de ramais, saúde e apoio a produtores rurais da região.
Cenário para a nova legislatura e articulações políticas
A nova composição da Assembleia Legislativa do Acre contará com uma renovação de aproximadamente um terço de suas 24 cadeiras a partir de 2027. Nesse cenário, a recondução de Calegário com a segunda maior votação do estado amplia seu peso nas articulações internas da Casa e no diálogo com o Poder Executivo.
Com o histórico de crescimento contínuo de 3,7 mil votos em 2018, 7,1 mil em 2022 e 13,6 mil em 2026, o parlamentar inicia o terceiro mandato consecutivo posicionado entre as principais forças da política acreana, com margem para novos passos e composições partidárias nos próximos anos.





