As articulações políticas para a etapa decisiva da corrida presidencial ganharam um novo capítulo na manhã desta quarta-feira (7/10). A federação formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP) oficializou o apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno das eleições.
O anúncio ocorreu durante entrevista coletiva concedida em frente ao comitê de campanha do presidenciável, localizado no Lago Sul, em Brasília. O encontro reuniu parlamentares, lideranças do Centrão e dirigentes partidários que se mobilizaram para alinhar a atuação conjunta nas próximas semanas.
Declaração do candidato e críticas à gestão atual
Ao discursar ao lado dos aliados, Flávio Bolsonaro destacou sua trajetória em ambas as agremiações partidárias e celebrou o fortalecimento de sua base de sustentação política no Congresso Nacional.
“Quero agradecer a esse apoio formal aqui da federação, União e Progressistas, inclusive dois partidos pelos quais já passei. Então, eu me sinto muito, muito em casa”, ressaltou Flávio Bolsonaro.
Durante a manifestação à imprensa, o senador contextualizou o cenário eleitoral para o segundo turno e direcionou críticas contundentes à atual administração federal, apontando o que classificou como indicadores negativos no país.
“O Brasil agora tem dois caminhos, inevitavelmente. É o caminho do que está aí, do governo de recordes negativos, recorde de morte de mulheres, recorde de pessoas endividadas, recorde de imposto alto, recorde de empresas quebradas e recorde de criminalidade”, declarou o candidato.
Articulação de parlamentares e representatividade
A decisão da cúpula partidária visa estruturar uma ampla frente de oposição para enfrentar o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio ressaltou que a aliança reúne quadros de forte apelo popular e representatividade regional.
“Acho que a resposta vem nas urnas, com essas pessoas que estão aqui ao meu lado e atrás de mim. Eles foram escolhidos, eles representam vários segmentos da população em seus estados. Podem questionar o que quiserem, mas são os que têm voto. Isso aqui é democracia, e é com essas pessoas que eu vou governar”, afirmou.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), líder do Progressistas no Senado e ex-ministra da Agricultura, reforçou o caráter estratégico do alinhamento partidário para a reta final do calendário eleitoral.
“Estamos aqui, a federação União Progressista, o Progressistas e o partido União, juntos, para trazer nosso apoio incondicional ao Flávio Bolsonaro, nosso futuro presidente. É uma demonstração de união de forças da direita e da centro-direita do Brasil”, pontuou a senadora.
Reconfiguração partidária e novos alinhamentos
A decisão formal do União Brasil e do PP altera o posicionamento adotado pelas siglas na primeira etapa da disputa. Antes da apuração do primeiro turno, ambas as legendas mantiveram postura de neutralidade no plano nacional, liberando seus filiados e bancadas estaduais para realizarem composições regionais de acordo com as conveniências locais.
O movimento ocorre em um cenário no qual integrantes do União Brasil exercem cargos de liderança no Poder Executivo, a exemplo do ministro do Turismo, Gustavo Costa Feliciano.
Além do apoio da federação, a campanha de Flávio Bolsonaro aguarda a formalização da adesão do partido Novo. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, que disputou o Palácio do Planalto pela sigla e encerrou a votação com 0,27% dos votos válidos, já havia defendido publicamente a convergência do campo conservador na etapa final.
A aliança com o União Brasil e o PP junta-se à adesão anunciada no início da semana pelo ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), consolidando a reorganização dos palanques estaduais para a votação do próximo dia 25 de outubro.





