Uma ampla operação policial deflagrada no estado da Flórida, nos Estados Unidos, resultou na prisão de 281 pessoas investigadas por envolvimento em crimes de tráfico humano, prostituição e exploração sexual de menores. O anúncio oficial da ação foi realizado pelo gabinete do xerife do condado de Polk, localizado na região metropolitana de Orlando, revelando o envolvimento de funcionários de grandes redes de entretenimento mundial.
Entre os alvos detidos pelas autoridades norte-americanas está um homem de 24 anos que trabalhou interpretando o personagem Mickey Mouse nos parques do complexo Walt Disney World. Identificado como Colin Klaco, o investigado foi abordado pelas equipes policiais durante os desdobramentos da investigação e estava em posse de materiais suspeitos no momento da prisão.
Disfarce, abordagens e mochilas com fraldas
De acordo com as informações detalhadas prestadas pelo xerife Grady Judd durante coletiva de imprensa, a captura de Klaco ocorreu após monitoramento prévio dos agentes de segurança. No momento exato da abordagem policial, os investigadores encontraram duas mochilas contendo fraldas em poder do investigado, elemento anexado ao processo de apuração.
Denominada Polk Around and Find Out II, a ofensiva policial teve duração de sete dias e mobilizou dezenas de agentes disfarçados em plataformas digitais. O foco central da força-tarefa foi mapear a atuação de adultos que buscavam marcar encontros sexuais com crianças e adolescentes, além de combater redes estruturadas de tráfico de pessoas.
“As investigações contaram com a atuação direta de policiais disfarçados para identificar adultos que se deslocavam com a intenção deliberada de cometer abusos contra crianças e adolescentes”, destacou o gabinete do xerife.
Funcionários de parques temáticos entre os detidos
O balanço final da operação revelou que 17 dos 281 presos trabalhavam diretamente no setor de turismo e entretenimento da região, desempenhando funções em parques temáticos e resorts de Orlando. Desse grupo, 13 eram colaboradores do complexo Disney e outros quatro atuavam nas instalações da Universal Studios.
As investigações apontam que pelo menos sete desses trabalhadores são suspeitos diretos de envolvimento em crimes de exploração sexual contra menores. Um dos casos destacados pelas autoridades envolveu um funcionário da Disney interceptado enquanto se deslocava para um encontro com um agente infiltrado que se passava por um menino de 13 anos. O homem foi preso ainda vestindo o uniforme de trabalho dentro do próprio veículo.
Riscos, armas apreendidas e desdobramentos judiciais
A força-tarefa também efetuou a prisão de um treinador de futebol americano que comandava uma equipe infantil na Flórida. Segundo os relatórios oficiais da polícia, o profissional acreditava estar a caminho de um encontro com uma adolescente de 14 anos quando foi surpreendido pelos agentes no local combinado.
A dimensão geográfica e o grau de periculosidade dos suspeitos também chamaram a atenção das forças de segurança. Ao todo, 31 investigados viajaram de outras regiões até o condado de Polk com a intenção expressa de manter contatos ilegais com menores. Durante as abordagens, os policiais confiscaram armas de fogo com 24 dos detidos, enquanto nove dos suspeitos já cumpriam regime de liberdade condicional por outras infrações.
A administração da Disney informou que prestou colaboração às autoridades policiais e efetuou a demissão imediata de todos os envolvidos identificados na lista transmitida pela investigação. Os acusados permanecerão sob custódia enquanto as denúncias formais são analisadas e processadas pela Justiça dos Estados Unidos.





