Uma expedição formada por seis caçadores de tempestades alcançou um marco histórico para a meteorologia nacional. O grupo conseguiu acompanhar e transmitir ao vivo a formação de um tornado na zona rural de Campo Erê, no Extremo-Oeste de Santa Catarina.
O fenômeno ocorreu na noite de domingo (30), por volta das 19h30, na região situada ao sul da área urbana do município, no sentido da rodovia que dá acesso a Saltinho. O registro foi capturado no momento exato de aproximação de uma intensa supercélula.
Esta foi a primeira vez que a formação de um tornado foi transmitida em tempo real durante uma caçada a tempestades no Brasil.
“A natureza é incrível, não deixa de me surpreender nunca. É algo difícil de explicar a sensação de estar perto de algo tão lindo e perigoso ao mesmo tempo”, relatou o fotógrafo de natureza Gregory Fenile de Castro.
Estrutura da equipe e expedição
O grupo reuniu pesquisadores, fotógrafos e entusiastas de diferentes regiões do país. A expedição teve início na cidade de Santa Maria (RS) e já somava quatro dias de deslocamentos contínuos por municípios gaúchos, catarinenses e paranaenses.
A equipe responsável pelo feito é composta por seis integrantes:
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Gregory Fenile de Castro: Fotógrafo de natureza (interior de São Paulo)
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Rafael José Claros Santana: Mestre e doutorando em Meteorologia
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Maycon Zanata: Caçador de tempestades
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Gabriel Zaparolli: Fotógrafo e caçador de tempestades
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Carlos Eduardo Schmidt Freitas: Graduando em Meteorologia
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Daniel Lopes: Graduando em Meteorologia
Análise técnica e dinamismo do fenômeno
De acordo com o meteorologista Rafael José Claros Santana, a circulação do tornado apresentou variações visuais ao longo de sua breve duração. Inicialmente estreito, o funil ganhou largura e assumiu a forma conhecida como wedge, formato associado a bases de nuvens muito baixas e correntes de ar intensas.
Apesar da aparência volumosa, os especialistas avaliam que o contato efetivo da circulação com o solo possuía dimensão menor. O fenômeno dissipou-se rapidamente, restando apenas a nuvem-parede na estrutura da tempestade.
“Em termos de caçada a tempestade e de live, foi um registro inédito aqui no Brasil. Algo sensacional”, afirmou o meteorologista Rafael Santana.
A classificação oficial na escala Fujita (F1, F2 ou F3) depende do levantamento de estragos no terreno. Como a trajetória ocorreu ao sul da cidade, sem atingir diretamente o centro urbano, a equipe realiza buscas na região rural para mapear possíveis estragos.
Próximos passos da caçada
A baixa visibilidade noturna, somada à queda de granizo e à chuva forte, exigiu manobras rápidas para manter o grupo em posição segura e garantir o enquadramento das câmeras sem perder o avanço do sistema.
Após a captura das imagens em solo catarinense, a expedição segue em deslocamento em direção ao Paraná. As equipes monitoram os municípios de Guarapuava e Ponta Grossa, onde novas instabilidades podem favorecer episódios de tempo severo.





