O cantor Marlon Brendon Coelho, conhecido popularmente como MC Poze do Rodo, quebrou o silêncio e se pronunciou publicamente após ser denunciado por estupro, ameaça e fornecimento de substâncias ilícitas a uma adolescente de 16 anos. O caso é investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Em vídeos publicados em suas redes sociais, o funkeiro rebateu veementemente o teor da acusação registrada na polícia. O artista assegurou que a jovem afirmou ter mais de 18 anos durante o período em que esteve no local e classificou a denúncia como uma reação orquestrada após ele ter interrompido a comunicação entre os dois.
“Não ia falar sobre isso porque já está explicado. Veio falando que era de maior, se é de maior, pode ficar e tem tratamento VIP. Continuamos conversando depois disso, mas bloqueei ela porque falou umas besteiras para mim. Bloqueei e agora se juntaram para fazer essa fake news. Vai trabalhar! Não vou me prolongar, assunto feio. A verdade não pode ser dita aqui e vai ser resolvido na Justiça.”
Os detalhes do boletim de ocorrência
De acordo com o registro feito na quarta-feira (28), os fatos investigados teriam ocorrido na noite de 26 de setembro, por volta das 22h, na residência do músico localizada no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
A jovem relatou que foi à mansão a convite de uma amiga para participar de uma festa. Na ocasião, ela declarou ter ingerido bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes, incluindo a droga conhecida como “Black Lança”, o que teria afetado sua plena consciência no momento em que se dirigiu a um dos quartos do imóvel com o cantora.
Ainda no depoimento presencial prestado aos investigadores, a menor sustentou ter avisado expressamente ao artista que só aceitaria manter relações sexuais mediante o uso de preservativo. Contudo, segundo a versão da jovem, o músico teria se recusado a utilizar a proteção e deu prosseguimento à relação não consentida de forma forçada.
Relato de coação e ameaças de morte
O boletim policial descreve ainda desdobramentos graves ocorridos dois dias após a festa. A adolescente afirmou ter sido coagida a retornar à mansão do artista, onde teria ficado sem o próprio telefone celular e sido obrigada a tomar medicamentos adquiridos pelo músico.
A denúncia aponta que o cantor teria proferido ameaças diretas contra a integridade física da menor para garantir a ingestão dos remédios. A jovem afirmou que o artista declarou que, caso ela não consumisse as substâncias, pediria a um de seus amigos para fazê-la desaparecer.
Atuação da defesa e medidas protetivas
A advogada criminalista Daiana Andrade, responsável pela representação legal da adolescente, confirmou que as acusações envolvem suspeitas de estupro, ameaça e fornecimento de produtos de uso proibido a menor. A advogada enfatizou a gravidade das queixas e cobrou punição rigorosa.
“Estamos diante de uma adolescente que relata ter tido o corpo violado, a voz ignorada e a vida ameaçada. Fama não é escudo, e silêncio nunca foi consentimento. Ela não está sozinha, e vamos até o fim por justiça.”
A equipe jurídica da jovem solicitou à Justiça a concessão de medidas protetivas de urgência contra o músico. O procedimento tramita sob sigilo oficial para resguardar a intimidade e a segurança da adolescente, conforme determinado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A jovem também foi encaminhada ao Instituto Médico-Legal (IML) para a realização de exames corporais.
Posicionamento oficial da polícia e dos advogados do cantor
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou em nota que as apurações continuam em andamento pela Dcav. A corporação ressaltou que os envolvidos e testemunhas serão intimados a prestar depoimentos oficiais na delegacia especializada no decorrer dos próximos dias.
Por sua vez, a defesa técnica de Marlon Brendon informou que ainda não obteve acesso formal aos autos do processo. Os advogados criticaram a circulação de informações sigilosas da investigação pela imprensa e afirmaram que se manifestarão diretamente nos autos assim que tomarem conhecimento do teor do registro policial.





