O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na noite de quinta-feira (1º), de uma entrevista de cerca de duas horas no Flow Podcast. A participação ocorreu no mesmo horário em que estava previsto o último debate presidencial da TV Globo antes do primeiro turno, cancelado pela emissora.
Conduzida por Igor Coelho, a sabatina abordou a ausência no confronto televisivo, críticas ao sistema político, a disputa eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) e temas de interesse público, como apostas esportivas, emendas e saúde.
Críticas à TV Globo e caso Banco Master
Ao iniciar a conversa, Lula explicou os motivos para escolher o formato de entrevista na internet em vez de comparecer ao estúdio da emissora. O presidente afirmou que considera o modelo de debates tradicionais com múltiplos candidatos pouco produtivo e relembrou episódios de campanhas anteriores.
O petista criticou a cobertura de episódios recentes da política nacional e comentou as apurações da Polícia Federal sobre o escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. Ele mencionou diálogos divulgados pela imprensa entre o executivo e o apresentador Luciano Huck.
“Esse tal de Vorcaro não era só um ladrão, ele era um mágico. Ele envolvia todo mundo, envolveu até o Luciano Huck”, declarou Lula.
O presidente afirmou que o aprofundamento das apurações é essencial e defendeu que as investigações alcancem todas as autoridades e figuras públicas citadas, sem qualquer tipo de proteção institucional ou política.
Ataques a Flávio Bolsonaro e cenário político
A atuação de seu principal adversário na disputa presidencial foi outro ponto central da entrevista. Lula criticou a trajetória de Flávio Bolsonaro, questionando sua experiência administrativa e mencionando relações com investigados e integrantes de milícias no Rio de Janeiro.
“Esse menino não tem história política. Esse menino é ligado aos milicianos”, afirmou o petista durante o programa.
Lula também criticou a viagem internacional de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Ao comentar as declarações dadas pelo parlamentar no exterior sobre as instituições brasileiras, o chefe do Executivo o classificou como “vira-lata traidor da pátria”.
Justificativa de candidatura e regras eleitorais
Questionado sobre declarações anteriores de que não pretendia disputar a reeleição, o presidente afirmou que mudou de posição para evitar o avanço da extrema-direita e o fortalecimento de movimentos antidemocráticos.
“Enquanto eu estiver vivo, o fascismo não volta nesse país”, declarou Lula ao defender sua permanência na política ativa.
O petista afirmou estar confiante na possibilidade de encerrar a disputa presidencial. Em tom de comparação com adversários históricos, citou nomes das décadas passadas como Paulo Maluf e Fernando Henrique Cardoso, destacando que tinham trajetória política consolidada no país.
Restrição às bets e orçamento federal
Na área de regulação e economia, o presidente defendeu as medidas adotadas pelo governo para impor limites de atuação às plataformas de apostas esportivas. Ele revelou que tomou a decisão após ouvir relatos de famílias impactadas pelo endividamento.
O petista sinalizou que manterá o posicionamento mesmo em caso de resistência no Poder Legislativo, afirmando que a restrição visa proteger o orçamento familiar.
“Essa é uma briga boa para se fazer”, disse Lula sobre a disputa política das apostas.
O presidente voltou a criticar a destinação do orçamento público por meio de emendas parlamentares. Segundo ele, o mecanismo atual reduziu o poder de planejamento do Poder Executivo e precisa passar por reformulação após o período eleitoral.
Políticas públicas para educação, mulheres e saúde
No bloco dedicado às propostas sociais, a expansão do ensino superior e técnico foi apontada como prioridade continuada do governo federal. Lula reforçou que o fortalecimento de universidades e institutos federais é um compromisso central do mandato.
Em relação à segurança de mulheres, mencionou a consolidação do Pacto contra o Feminicídio e a garantia de amparo previdenciário pelo INSS para vítimas de violência doméstica sob medidas protetivas de urgência.
Na área da saúde, o presidente comentou o debate sobre a oferta de medicamentos voltados ao tratamento da obesidade pela rede pública. Ele informou que eventual distribuição via SUS passará por avaliação rigorosa e critérios definidos pelas autoridades sanitárias.





