O ex-jogador argentino Alejandro Mancuso, com passagens marcantes por clubes como Flamengo e Palmeiras na década de 1990 e ex-auxiliar de Diego Maradona na seleção argentina, está no centro de uma grave acusação de fraude no futebol internacional. O ex-atleta é apontado como o líder de um esquema de venda ilegal de diplomas e licenças falsas para treinadores de futebol.
Segundo apuração veiculada pelo UOL, as certificações eram oferecidas por valores que alcançavam até R$ 100 mil. Mancuso prometia entregar licenças que seriam emitidas pela Associação de Técnicos de Futebol da Argentina (ATFA), liberando os compradores da obrigação de frequentar aulas ou realizar avaliações.
Promessa de certificação expressa e valores
Nas negociações, o ex-jogador afirmava ter capacidade de entregar até quatro licenças de uma só vez em um prazo recorde de apenas dez dias. O pacote cobria desde as licenças C e B, voltadas para categorias de base, até as licenças A, para atuação profissional, e PRO, de nível internacional.
O processo legal de formação exige um percurso acadêmico e prático rigoroso. A capacitação oficial oferecida pela ATFA é progressiva e leva cerca de três anos para ser concluída, com módulos individuais que variam entre seis e 13 meses de duração.
“As certificações eram prometidas sem a necessidade de cumprimento do processo convencional de formação, alegando um suposto procedimento acelerado para profissionais com histórico no esporte”, aponta a denúncia.
Nomes de astros do futebol citados no esquema
Durante as abordagens a potenciais clientes, Mancuso costumava citar uma extensa lista de atletas e ex-atletas de prestígio internacional como supostos compradores ou beneficiários do serviço. Entre os nomes mencionados pelo argentino estavam Thiago Silva, Luiz Gustavo, Diego Lugano, Paolo Guerrero, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Petkovic e Paulinho.
A citação dos nomes por parte do ex-jogador não implica envolvimento direto ou ciência de irregularidades por parte desses profissionais.
As dezenas de áudios e mensagens de texto obtidas pela reportagem mostram que Mancuso se apresentava falsamente como “diretor internacional” da ATFA. Ele garantia ter o respaldo direto da alta cúpula e do departamento jurídico da entidade. A associação argentina, por sua vez, negou veementemente qualquer vínculo com o ex-atleta.
Origem das investigações e orientações para a fraude
A apuração sobre a venda de licenças falsas teve início em maio de 2024, quando um ex-futebolista recebeu uma proposta direta de Mancuso via aplicativo de mensagens e decidiu denunciar o caso à imprensa.
O argumento utilizado pelo argentino para convencer os interessados era de que atletas com carreiras consolidadas no futebol profissional já possuíam o conhecimento prático necessário, não precisando perder tempo com anos de aulas teóricas na formação convencional.
“Para dar aparência de legalidade aos documentos, o argentino orientava os contratantes a declararem falsamente que haviam cursado três anos de aulas na modalidade online”, revela o material apurado.
Aos 58 anos, Alejandro Mancuso construiu trajetória no futebol brasileiro durante a década de 1990 atuando no meio-campo. Mais tarde, integrou a comissão técnica da seleção da Argentina ao lado de Maradona, inclusive durante a Copa do Mundo de 2010. O caso segue sob apuração das autoridades competentes e das entidades esportivas internacionais.





