O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) tornou-se alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração aponta suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”.
A decisão que instaurou a investigação foi proferida pelo ministro André Mendonça em julho passado, mas o caso veio à tona nesta sexta-feira (11). A divulgação ocorreu após o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, solicitar a queda do sigilo das apurações vinculadas às operações do Banco Master, instituição financeira de propriedade do banqueiro Daniel Vorcaro.
Pedido da PF e aval da PGR
O procedimento investigativo atende a um requerimento formal da Polícia Federal que recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A apuração foca nas transações financeiras estabelecidas entre o parlamentar e o grupo bancário para a viabilização do projeto audiovisual.
“A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo senador da República Flávio Nantes Bolsonaro”, destacou o ministro André Mendonça na decisão.
Além do senador, o inquérito cita o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL). Embora o contexto geral venha a público, os detalhes específicos dos autos permanecem sob segredo de Justiça.
Áudios e valores sob suspeita
A apuração ganhou novos desdobramentos após a veiculação de gravações em que o senador cobra repasses do banqueiro para dar andamento à produção. Nos áudios, gravados em setembro de 2025, o filho do ex-presidente demonstra proximidade com o empresário e cobra parcelas em atraso para a execução do longa-metragem.
De acordo com as apurações, o contrato de patrocínio negociado previa um repasse total de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época). As investigações indicam que ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente transferidos para o projeto.
Defesa e desdobramentos policiais
Após a repercussão das gravações, Flávio Bolsonaro confirmou as conversas com Daniel Vorcaro. O parlamentar alegou que a negociação tratava-se de busca por apoio privado para um projeto sobre a trajetória de seu pai, negando a oferta de qualquer tipo de contrapartida ilegal em troca dos recursos.
O banqueiro Daniel Vorcaro está preso desde março de 2026, investigado por um suposto esquema de fraudes financeiras na instituição bancária, que passou por processo de liquidação extrajudicial no ano anterior.
Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, autorizada pelo ministro Flávio Dino. A ação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão contra alvos ligados à produção do filme, incluindo o deputado Mario Frias e a produtora Karina Gama.
“As investigações apontam para a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular”, informou a Polícia Federal em nota.
A suspeita da Polícia Federal nessa linha de apuração é de que recursos de emendas parlamentares tenham sido desviados para viabilizar a estrutura da obra cinematográfica por meio de empresas terceirizadas.





