As investigações da Polícia Federal sobre o banqueiro Daniel Vorcaro revelaram um esquema de repasses financeiros ao ex-chefe de supervisão do Banco Central, Belline Santana. As cifras mensais destinadas ao ex-servidor alcançavam valores de até R$ 760 mil.
Os detalhes da apuração vieram à tona após a retirada do sigilo de 15 procedimentos ligados ao caso do Banco Master. A decisão foi proferida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a uma solicitação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Contratação fictícia e rotina de pagamentos
Conforme o relatório da corporação, a proximidade entre o banqueiro e o ex-servidor do BC remonta a outubro de 2023. O primeiro contato documentado envolveu a negociação de um suposto “Estudo Técnico, Econômico e Social”, assinado por Leonardo Augusto Furado Palhares, da empresa Varajo Consultores.
Mensagens interceptadas mostram que o próprio Belline sinalizou o aceite e o envio dos documentos do negócio. Ao comentar a transação com interlocutores, Vorcaro e seu operador, Fabiano Zettel, reagiram com deboche, o que levou a Polícia Federal a classificar a operação como um contrato fictício.
“A reação de Vorcaro e Fabiano, com as mensagens ‘Que circo’ e ‘Kkkkkkkk’, ratificam que o negócio se trata de uma contratação fictícia”, aponta o relatório da Polícia Federal.
A preocupação em ocultar a origem dos recursos ficou explícita em diálogos subsequentes. Vorcaro orientou que os repasses não fossem feitos via Pix e exigiu que o dinheiro não saísse do banco nem de forma indireta, recorrendo a empresas intermediárias.
O fluxo triangulado das transferências
Para ocultar a ligação direta entre o banqueiro e o ex-chefe de supervisão do órgão regulador, o grupo utilizou uma rede de triangulação financeira. O fluxo envolvia a empresa Super, controlada por Zettel, e repasses efetuados por uma interlocutora identificada como Ana Claudia Queiroz de Paiva.
O esquema operava por meio da emissão de notas fiscais pela empresa de Leonardo Palhares, que recebia os valores e repassava as quantias finais a Belline Santana. O fluxo identificado pela investigação funcionava da seguinte forma:
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Origem dos recursos: Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel direcionavam o dinheiro por meio da empresa Super.
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Repasse intermediário: Ana Claudia efetuava o pagamento da nota fiscal emitida pela empresa de Leonardo Palhares.
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Destino final: Leonardo Palhares transferia o montante diretamente para Belline Santana.
Em outubro de 2024, registros indicam a confirmação de uma parcela de R$ 760 mil repassada por essa rota. As planilhas de “despesas fixas mensais” mantiveram a presença do ex-servidor do BC ao longo de todo o ano de 2025, com valores variando entre R$ 500 mil e R$ 750 mil.
Viagem de luxo para a França
Além dos repasses financeiros periódicos, a Polícia Federal identificou que Daniel Vorcaro custeou e organizou uma viagem de lazer para Belline Santana e sua esposa em Paris. O planejamento foi feito em contato com um intermediário na França, nomeado como “Aurel Gross”.
O itinerário incluía reservas em restaurantes renomados da capital francesa, como o Loulou e o L’aperouse, com direito a visita guiada e degustação de rótulos de vinhos de alto padrão bancados pelo empresário.
Os registros de imigração confirmaram que Belline Santana e sua esposa embarcaram para o Aeroporto Charles de Gaulle em 9 de setembro de 2025, retornando ao Brasil seis dias depois.





