A empresária e ex-vereadora do Rio de Janeiro Veronica Costa, conhecida nacionalmente como a Mãe Loira do Funk, foi presa pela Polícia Civil na noite desta quinta-feira (24). A captura foi efetuada por agentes da Polinter no Vale das Videiras, em Araras, distrito da cidade de Petrópolis, localizada na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro.
Considerada foragida desde a última quarta-feira (23), a ex-parlamentar ingressou em uma rota de fuga do Rio de Janeiro em direção à Região Serrana. Para tentar despistar os investigadores da Polícia Civil, Veronica trocou de veículo pelo menos quatro vezes durante o percurso até o local onde acabou sendo abordada e detida.
A ordem de prisão foi cumprida após o trânsito em julgado do processo criminal, fase em que não cabem mais recursos. A condenação definitiva fixou a pena em 10 anos e 8 meses de prisão pelo crime de tortura praticado contra o seu ex-marido, o empresário Márcio Costa.
Declarações sobre a prisão e críticas à Justiça
Ao chegar à Cidade da Polícia, na capital fluminense, a ex-vereadora contestou a decisão do Poder Judiciário. Em declarações à imprensa, ela se disse vítima de uma injustiça e negou ter envolvimento com qualquer prática criminosa ao longo de sua vida pública e privada.
A empresária sustentou que sua condenação decorre de uma falha de julgamento e relembrou episódios do seu passado para defender sua conduta.
“Não sou nenhuma bandida, nenhuma marginal ou homicida. Aqui tem uma mulher que teve uma arma apontada para a cabeça e que foi vítima de um erro do Judiciário. Eu sempre admirei o Judiciário. Estou triste, sem acreditar no que está acontecendo. Mas aqui não há nenhuma bandida, nenhuma corrupta. Há uma mulher que trabalhou muito pelo povo e que não merece passar por isso. Isso é maldade.”
Prisão de familiares e envolvidos
A operação policial não se limitou à prisão de Veronica Costa. Agentes da Polícia Civil também cumpriram mandados contra familiares da ex-vereadora que foram condenados pelo mesmo episódio de violência contra o empresário.
Entre os detidos na mesma ação estão Bruno Chaves Ribeiro, irmão de Veronica, que também recebeu a pena de 10 anos e 8 meses de reclusão; Tatiane Chaves Ribeiro, irmã da empresária; e Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane e cunhado da funkeira.
Sebastião de Oliveira Evangelista, padrasto de Veronica, também foi condenado pelo crime de tortura e permanece foragido. As forças de segurança mantêm as buscas para tentar localizar seu paradeiro.
Reação da vítima e manifestação da defesa
Após a confirmação do cumprimento dos mandados de prisão, o empresário Márcio Costa publicou uma declaração nas redes sociais. Ele relatou o impacto dos anos de espera pelo desfecho do processo judicial e afirmou sentir um sentimento de pacificação após a decisão final do Tribunal de Justiça.
Em nota, os advogados de Márcio Costa pontuaram que o mandado de prisão representava a “cristalização da justiça” diante dos fatos apurados nas investigações.
“Não é comemoração. É alívio. Esperei tempo demais por esse momento. Foram anos carregando em silêncio uma dor que não passa, uma ferida que não se apaga. Hoje, com a palavra final da Justiça, eu não celebro, apenas respiro. Que a verdade permaneça e que a dor de tantos anos não seja em vão.”
A reportagem tentou contato com a equipe jurídica responsável pela defesa de Veronica Costa e de seus familiares por ligações, mensagens e e-mail. Até o fechamento desta edição, a defesa da ex-vereadora não enviou resposta. O espaço segue aberto para futuras manifestações oficiais.




