A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais deflagrou uma operação para apurar a conduta de três policiais civis suspeitos de forjarem provas durante o cumprimento de uma ordem judicial. As investigações apontam que os agentes teriam implantado ilícitos na residência de alvos em Belo Horizonte.
A ação sob apuração ocorreu no dia 7 de agosto, na região da Pampulha. Na ocasião, os policiais cumpriam um mandado de busca e apreensão no imóvel onde residem um conselheiro tutelar e o filho dele.
Durante a diligência, os investigadores alegaram o encontro de uma barra de maconha no imóvel. O proprietário da residência e o jovem acabaram presos em flagrante sob a acusação de envolvimento com o tráfico de drogas e permanecem encarcerados preventivamente desde a data do fato.
“A defesa já impetrou pedidos de liberdade. Nós estamos aguardando tão somente o procedimento da Justiça para que haja uma decisão quanto antes no que diz respeito à revogação dessa prisão, com base nesse fato novo que se insurgiu, desse vídeo que aportou aos autos do inquérito.”
Gravações revelam entrada com entorpecente
O mandado judicial expedido para a diligência na Pampulha trazia a exigência expressa de que toda a varredura no imóvel fosse registrada em vídeo pelas equipes envolvidas na missão.
As imagens gravadas durante o cumprimento da ordem foram anexadas aos autos do procedimento e revelaram inconsistências na atuação policial. O registro audiovisual mostra que um dos agentes ingressou na residência transportando a barra de maconha escondida junto à perna.
Na sequência das gravações, o investigador aparece colocando o pacote no interior do imóvel para simular a localização do entorpecente na propriedade, fundamentando a voz de prisão ao morador e ao filho.
“Não tenho nenhum filho vagabundo. Não tenho nenhum filho que algum dia me desse um desgosto. Eu estou decepcionada com a polícia.”
Desdobramentos e posição da instituição
Diante da apuração de desvio de conduta, a Corregedoria-Geral agiu para cumprir as ordens judiciais contra os envolvidos. Um dos policiais civis foi localizado e detido preventivamente, enquanto os outros dois seguem procurados para o cumprimento das ordens de prisão.
A defesa das vítimas acionou o Poder Judiciário requerendo a revogação imediata da custódia cautelar do conselheiro tutelar e de seu filho, sustentando a nulidade absoluta da prisão motivada pela prova forjada.
Em nota oficial, a Polícia Civil de Minas Gerais confirmou a instauração do procedimento correcional e declarou que não tolera eventuais desvios institucionais, garantindo uma investigação isenta sobre a conduta dos servidores públicos envolvidos.






