O Brasil conseguiu reduzir as Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025, mas uma análise dos números por estado mostra que a realidade da segurança pública brasileira continua profundamente desigual.
A taxa nacional ficou em 19,1 mortes violentas intencionais para cada 100 mil habitantes, uma redução de 8,2% em relação ao ano anterior.
Quando os estados são colocados lado a lado, porém, aparecem diferenças que ajudam a dimensionar quais unidades da Federação conseguiram alcançar os menores níveis de violência.
Entre os dados analisados, Santa Catarina aparece na primeira posição, com 7,6 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. O índice caiu 11,1% em relação a 2024.
Logo atrás está São Paulo, com 7,8, também registrando redução, de 3,9%.
Na prática, os dois estados apresentam taxas inferiores à metade da média brasileira.
O Distrito Federal registra índice de 9,6, embora tenha seguido na direção contrária da maior parte dos estados comparados: houve crescimento de 5,8% em relação ao ano anterior. O DF não integra o cálculo da média nacional.
RIO GRANDE DO SUL TEM A MAIOR QUEDA
Outro dado chama atenção pela velocidade da redução.
O Rio Grande do Sul, com taxa de 11,3 mortes por 100 mil habitantes, apresentou queda de expressivos 25,7% em apenas um ano — a maior redução entre as unidades apresentadas no levantamento.
Minas Gerais aparece em seguida, com taxa de 12,9 e queda de 14,2%.
O Paraná registrou 15,5 mortes por 100 mil habitantes, depois de reduzir seu indicador em 15,5%.
São números que mostram que não basta observar a posição de cada estado. A velocidade com que a violência está aumentando ou diminuindo também ajuda a revelar o rumo da segurança pública em cada região.
GOIÁS MELHORA, MAS AINDA ESTÁ DISTANTE DOS LÍDERES
Goiás é um exemplo dessa dupla leitura.
O estado registrou 1.222 Mortes Violentas Intencionais em 2025, ante 1.386 no ano anterior.
A taxa passou de 18,9 para 16,5 mortes por 100 mil habitantes, uma redução de 12,7% em apenas um ano.
O resultado é relevante.
Além da queda expressiva, Goiás conseguiu ficar abaixo da média brasileira de 19,1.
Mas o ranking permite enxergar o outro lado dos números.
Mesmo com a melhora, Goiás ainda apresenta taxa superior às registradas por Santa Catarina, São Paulo, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná.
A diferença para os líderes é particularmente significativa.
A taxa goiana de 16,5 é mais que o dobro das registradas em Santa Catarina (7,6) e São Paulo (7,8).
Isso significa que reconhecer a redução da violência em Goiás não impede uma segunda conclusão: existe espaço considerável para avançar.
O QUE ENTRA NA CONTA
As Mortes Violentas Intencionais constituem um indicador mais amplo do que apenas os homicídios dolosos.
A categoria reúne ocorrências como homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial, permitindo uma visão mais abrangente da violência letal.
Por isso, comparar taxas por 100 mil habitantes é especialmente importante.
Números absolutos, isoladamente, favorecem estados menos populosos. A taxa proporcional permite observar o risco de violência letal levando em consideração o tamanho da população.
UM BRASIL, REALIDADES MUITO DIFERENTES
Os dados deixam duas notícias importantes.
A primeira é positiva: a violência letal caiu no Brasil e recuou de maneira significativa em vários estados.
A segunda é o tamanho da distância que ainda separa diferentes regiões.
Enquanto Santa Catarina e São Paulo conseguiram manter seus indicadores abaixo de oito mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, a média brasileira permanece em 19,1.
O desafio agora é entender o que está por trás dessa diferença.
Policiamento, inteligência, investigação criminal, integração entre forças de segurança, políticas penitenciárias, prevenção e características socioeconômicas precisam ser considerados antes de atribuir o desempenho a uma única política ou governo.
Os números mostram quem conseguiu chegar mais longe.
A próxima pergunta — e talvez a mais importante para o debate nacional — é descobrir por quê e quais experiências podem ser reproduzidas no restante do país.
Fonte dos dados utilizados na comparação: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2026), Fórum Brasileiro de Segurança Pública.





