A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (14), a terceira fase da Operação Transparência. A ação tem como objetivo desarticular um grupo suspeito de negociar valores expressivos sob a promessa de exercer influência indevida sobre decisões do Poder Judiciário.
Ao todo, os agentes cumprem quatro mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As diligências ocorrem simultaneamente em endereços localizados no Distrito Federal e no estado de São Paulo.
Alvos da ofensiva policial
Entre os alvos centrais das buscas estão o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) e sua esposa, Valéria Linhares. A ofensiva foi autorizada formalmente pelo ministro do STF, Flávio Dino.
As apurações apontam que os integrantes do esquema abordavam terceiros e acordavam repasses financeiros condicionados ao resultado favorável de processos em andamento. Em troca das quantias, o grupo alegava capacidade de interferir diretamente nos julgamentos.
“A PF ressalta que não encontrou elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário no esquema investigado”, informou a corporação em nota oficial.
Origem das investigações
A Operação Transparência teve início em dezembro de 2025, com o foco primário voltado para a apuração de possíveis irregularidades e desvios na destinação de emendas parlamentares.
No entanto, no decorrer do compartilhamento e da análise das provas colhidas, os investigadores identificaram indícios da existência de uma rede paralela. Esse novo ramo dedicava-se à venda de facilidades e à negociação de decisões judiciais.
Os alvos são investigados pelos crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Perfil e articulação política
Cezinha de Madureira é apontado nos bastidores de Brasília como uma das figuras mais próximas do ministro do STF André Mendonça. O parlamentar desempenhou papel decisivo durante a sabatina e aprovação do nome de Mendonça no Senado Federal, após a indicação feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Bispo ligado à Assembleia de Deus Ministério de Madureira — uma das vertentes evangélicas mais influentes do país —, o deputado cumpria mandato pelo PSD antes de se filiar ao PL. A nova fase das diligências expõe tensionamentos no ambiente político da capital e adiciona desdobramentos às apurações conduzidas pela Suprema Corte.




