Um grupo composto por mais de 200 juristas, economistas, empresários, lideranças sindicais e acadêmicos enviou uma carta ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. O documento manifesta apoio integral às decisões recentes adotadas pelo magistrado no combate à crise institucional que afeta o tribunal.
A manifestação reúne a assinatura de 212 personalidades de relevância nacional. Entre os nomes que subscrevem a mensagem estão os empresários Jorge Gerdau, Luiza Trajano e Cândido Bracher, além de ex-ministros e economistas como Armínio Fraga, Pedro Malan, Edmar Bacha e André Lara Resende.
Cobrança por apuração e transparência
O manifesto destaca que as atitudes de Fachin buscam preservar a imagem do Judiciário e assegurar uma investigação imparcial sobre as acusações recentes. Os signatários exigem total transparência no processo e defendem a realização da reunião de Plenário agendada pela presidência da Corte.
A sessão agendada tem como objetivo analisar o relatório produzido pela Polícia Federal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O documento policial reúne registros de 52 mensagens com menções ao uso de aeronaves e contratos ligados ao escritório de advocacia da esposa do magistrado.
“O Supremo Tribunal Federal não pode deixar que sua jurisdição seja capturada por interesses escusos, de natureza pessoal, política ou econômica, que atentem contra nossa democracia constitucional”, cita um dos trechos centrais do documento enviado ao presidente do STF.
Vulnerabilidades internas da Corte
A maioria dos integrantes do grupo esteve na linha de frente da mobilização pela Carta em Defesa da Democracia durante o período eleitoral de 2022. Na ocasião, o movimento respondeu às pressões externas contra o sistema eleitoral brasileiro.
O jurista Oscar Vilhena, um dos organizadores da iniciativa, explicou a mudança de contexto entre as duas mobilizações públicas. Ele ressaltou a necessidade de responder com firmeza aos questionamentos atuais sobre o funcionamento interno da Suprema Corte.
“Em 2022, os ataques vinham de fora do Supremo e agora estamos tratando de vulnerabilidades internas da Corte. Os fatos que têm sido trazidos a público podem ter impacto muito grande não apenas sobre a autoridade do Supremo, mas também sobre a confiança da população nas instituições”, afirmou Vilhena.
Conflitos e decisões da presidência
A crise se agravou após Fachin assumir a relatoria do processo destinado a analisar a conduta de Moraes. Em ações consecutivas, o presidente do STF retirou o colega da condução do inquérito das fake news e solicitou a derrubada do sigilo de apurações ligadas ao caso.
As decisões de Fachin ocorrem em meio a pressões de diferentes alas da Corte para o adiamento da sessão plenária. A insatisfação interna se intensificou após conflitos entre decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino envolvendo a permanência do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O grupo de signatários reafirmou que a crise atual é a mais grave da história do tribunal e cobrou a responsabilização de envolvidos caso sejam comprovadas irregularidades ao fim das apurações.




