A Polícia Civil do Estado do Amazonas (PCAM) cumpriu, na manhã desta sexta-feira (6), um mandado de busca e apreensão na residência da Professora Maria do Carmo (PL), ex-candidata derrotada ao governo do estado nas eleições de 2026. A ação policial investiga o envolvimento da política na produção e difusão de conteúdos manipulados que atacaram a honra da família do governador eleito, Omar Aziz (PSD).
Durante as diligências realizadas no imóvel da investigada, situado na cidade de Manaus (AM), as equipes de investigadores recolheram um telefone celular e um computador pessoal. Os dispositivos passarão por periciais técnicas para mapear o fluxo de criação e distribuição dos materiais digitais.
Investigação sob sigilo e acusações da defesa
As apurações sobre o episódio tramitam sob segredo de Justiça e estão sob a condução direta da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) da Polícia Civil do Amazonas.
A investigação teve início após a equipe jurídica e o próprio senador e candidato vitorioso, Omar Aziz, denunciarem a circulação de um vídeo fraudulento nas vésperas da votação do segundo turno. A gravação trazia imagens manipuladas da filha adolescente do político e sugeria falsamente uma acusação de abuso praticada por ele.
“A adversária e comunicadores responsáveis pela campanha utilizaram a imagem da minha filha adolescente em um vídeo manipulado de forma criminosa. Meus advogados levarão todos os envolvidos às últimas consequências na Justiça”, declarou Omar Aziz em seu pronunciamento oficial após a confirmação do resultado das urnas.
Reviravolta jurídica e apreensão de provas
Esta não foi a primeira tentativa das forças policiais de cumprirem ordens de busca contra a equipe da ex-candidata do PL. Em 29 de outubro, agentes já haviam realizado diligências em endereços operacionais vinculados ao comitê de campanha de Maria do Carmo.
No entanto, no dia 30 de outubro, a defesa da investigada conseguiu obter uma medida liminar que suspendeu temporariamente as ordens de busca contra ela. A decisão liminar acabou cassada pelo desembargador Paulo Feitoza, que autorizou a retomada imediata das buscas para assegurar a integridade do material probatório.
O magistrado destacou no processo que a intervenção policial era indispensável para garantir a preservação de dados e registros digitais. Havia o risco iminente de apagamento ou alteração de arquivos armazenados nos dispositivos eletrônicos que pudessem comprovar a autoria do crime.
Os equipamentos apreendidos na residência de Maria do Carmo foram encaminhados para o Instituto de Criminalística, onde peritos em crimes cibernéticos analisam as mídias e os históricos de comunicação da ex-candidata.





