Um médico vinculado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP) tornou-se alvo de duras críticas e procedimentos apuratórios após expor dados confidenciais do prontuário de um paciente na internet. O profissional utilizou sua conta pessoal na rede social X para fazer comentários irônicos referentes à condição física da pessoa atendida.
O episódio ocorreu quando o médico Gabriel Lourenço Monteiro compartilhou uma imagem que continha indicadores clínicos privados do usuário do sistema público de saúde. A postagem expôs publicamente métricas sensíveis como peso, altura, Índice de Massa Corporal (IMC) e o diagnóstico de um quadro respiratório em acompanhamento.
Exposição de dados e desabafo em rede social
Ao divulgar o registro médico, o profissional fez uma declaração comparando o caso às rotinas diárias da unidade hospitalar e sugerindo insatisfação com a demanda atendida no local.
“Isso aqui é uma amostra pra vocês entenderem com o que lidamos aqui no Hospital das Clínicas”, escreveu o médico na publicação original.
A publicação rapidamente alcançou repercussão na rede social e gerou reações negativas por parte de outros profissionais da área de saúde e usuários da plataforma. Internautas e colegas de profissão alertaram para a gravidade da divulgação do prontuário sem autorização e para a situação vexatória imposta ao paciente.
Posicionamento institucional do Hospital das Clínicas
Diante da repercussão do caso, a direção do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto emitiu uma nota oficial repudiando a conduta do funcionário e confirmando a adoção de medidas administrativas para sanar o problema e apurar responsabilidades.
A instituição ressaltou que, mesmo sem a divulgação direta do nome do paciente na imagem, o ato descumpre de forma grave as diretrizes de conduta exigidas do corpo clínico da universidade.
“O HCFMRP-USP tomou ciência da publicação em rede social e considera a atitude preconceituosa. Embora não tenha ocorrido exposição de identidade, a publicação é inadequada e não condiz com a postura profissional preconizada por esta instituição. Já estamos tomando providências para que a postagem seja removida e que a conduta não se repita”, afirmou a gestão do hospital.
Infrações éticas e sigilo médico
A divulgação não autorizada de dados clínicos atinge normas estabelecidas pelo Código de Ética Médica e dispositivos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O sigilo entre médico e paciente é um princípio basilar da profissão, e a quebra desse dever configura infração passível de sanções disciplinares e reparação civil.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) foi acionado para responder sobre o caso, mas ainda não emitiu nota oficial sobre o cumprimento de procedimentos disciplinares em relação ao profissional. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações das partes envolvidas.






